| Subject: MAQUIAVEL (segundo Luís Sá) |
Author:
Luís Carvalho
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Date Posted: 11/10/04 23:04
In reply to:
João Laveiras
's message, "Redondo julga que é Maquiavel, o que nos faz rir!" on 10/10/04 19:32
Maquiavel é um nome frequentemente evocado, mas nem sempre evidenciando uma noção clara acerca do seu significado.
Segundo escreveu Luís Sá, no seu livro Introdução à Ciência Política (págs. 13/14), "a preocupação sistemática de abordar a política como ela realmente é" (e não como se gostaria que fosse), " e sobretudo a diferença entre o que o poder proclama e o que o poder realmente faz, surge em Maquiavel", um italiano "que, ao abordar a política tal como a viu quando", entre 1498 e 1512, "foi segundo secretário do governo" da República "de Florença, ganhou o direito, até hoje, de ser considerado por muitos como que o fundador da ciência política".
"Significativamente, Maquiavel também surge", na linguagem corrente, "como sendo um símbolo da ausência de escrúpulos e de uma concepção baseada na defesa da validade de todo o tipo de meios", quaisquer que sejam, desde que úteis para conseguir alcançar os objectivos políticos.
"Maquiavel, porém, sublinha justamente a autonomia" existente "da luta pelo poder em relação a qualquer critério transcendental" (nomeadamente moral). "E, ao assentar as suas concepções" numa visão pessimista sobre o ser humano, "no realismo e no anti-utopismo, cria uma base para excluir a existência de" dirigentes "presdestinados (...), bem como para rejeitar a existência de poderes perfeitos e para vir a assentar a defesa da necessidade de controlo e organização de formas de combate ao abuso de poder".
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