Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 13/09/04 10:35
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "Acho melhor não entrar pelo caminho das acusações sem fundamento" on 10/09/04 17:18
Resposta ao Fernando
Caro Fernando, não te enxofres, era só uma brincadeira. Sei que nestes fóruns virtuais não se pode brincar, pois nunca se conhece quem é que a eles acede e que pode, muito legitimamente, levar a sério esta minha afirmação de que tu tens “um ódio de estimação aos funcionários públicos”. É certo que ao introduzires de um modo ou de outro, ainda não percebi quem primeiro o meteu no dotecome o texto do Medina Carreira, estás a considerar que o mesmo é importante e foi por isso que eu disse que havia aqui maozinha do Fernando.
Mas deixemos as brincadeiras de parte e falemos a sério.
1 – Eu não faço em todo o meu texto qualquer defesa dos funcionários públicos, nem de certos sindicatos, nem das ordens, nem da classe política, pretendo, e é bom que se perceba isso, que ao desviar-se a atenção para esse tipo de trabalhadores se está a esquecer quem é o inimigo principal e a quem serve concentrarmos todo o nosso ódio exclusivamente neles, como se fossem os responsáveis por todos os males que afligem a Nação.
2 – Eu tive o cuidado de transcrever alguns textos do “cidadão comum” e se à maioria dos intervenientes neste fórum eles não incomodam, para mim constituem um bom exemplo do que é uma ideologia nacional-populista (termo por mim inventado), que eu sinto necessidade de destacar e combater.
3- As opiniões do “cidadão comum” poderão ser uma realidade sociológica. Nós poderemos escutá-las em muitos sítios e é por isso que as devemos combater. Porque é isto que faz a ideologia dominante, é conseguir levar as pessoas a pensar e defender os pontos de vista que interessam à direita, às classes e grupos que detêm o poder. Se a esquerda, que tem formação marxistas, não der conta disto, se não denunciar essa ideologia e se a consideramos como uma realidade sociológica a ter em conta, estamos de facto a desempenhar pessimamente o nosso papel. Porque a nossa luta, aquilo que eu uma vez falei que o nosso trabalho era ser como uma toupeira, é desmascarar a ideologia que o poder vai insinuando e instalando nos trabalhadores. Este é, provavelmente, dos esforços mais importantes que a esquerda marxista tem que fazer. Porque, não basta modificar a realidade económica, é preciso ganhar as consciências e transformar aquilo que são as “ideias feitas” da classe dominante na ideologia das classes dominadas. Temos que ter uma posição ideologicamente hegemónica.
Tema sobre o qual temos que reflectir.
Um abraço
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