Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 13/09/04 16:46
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Re: Cosmopolitismos" on 13/09/04 15:31
Cosmopolitismos II
I - Obrigado pelo seu esclarecimento, vem de facto na linha do que eu tinha dito a propósito do termo e da campanha recuperada pelo Albano Nunes sobre “cosmopolitismo”. Albano Nunes de certeza que lhe conhece a origem, mas como a vergonha é pouca, pensa que nós já não nos lembramos dela ou então assume-a como prolongamento da anterior. Triste destino.
Em relação ao episódio do Miguel Portas, que hoje já não me parece tão deslocado como na altura me pareceu. É simples, parece que o Miguel Portas numa das suas intervenções na campanha eleitoral defendeu o cosmopolitismo. Houve logo alguém do PCP, abstenho-me de lhes chamar nomes, que no dotecome, entre os ataques que lhe dirigiu, estava o de ter defendido o cosmopolitismo. Como eu desconhecia o texto inicial do Portas, nem percebi o que se passava e reagi muito mal a essa referência. Hoje verifico que a referência do militante do PCP não seria tão descabida e inseria-se já no pensamento que estava a germinar nas cabecinhas da Soeiro.
II - A referência ao Francisco Martins Rodrigues é unicamente porque ele é dos mais sérios pensadores daquilo que se designou por “esquerdismo” em Portugal. Hoje não há pensamento de esquerda que desenvolva uma crítica de esquerda ao PCP oficial, a “Política Operária” é a única, que me lembre, que mantém a tradição. Todos aqueles que nos final dos anos 60 e princípios de 70 reflectiam sobre esta matéria estão convertidos à social-democracia ou são mesmo de direita. Seria interessante desenterrar “Os Cadernos Necessários” e outras publicações, semi-clandestinas, que na época prosperavam e que alinhavam com os pontos de vista que genericamente eu atribuí ao Francisco Martins Rodrigues. Diga-se de passagem que foi em contraponto a esses pontos de vista que Álvaro Cunhal escreveu o seu livro contra o esquerdismo.
Ora a sua reflexão, provém de uma crítica de esquerda ao PCP, que se insere na dicotomia referida, e que levanta mais uma vez o problema das alianças e da transição para o socialismo. Se tiver oportunidade, voltarei a falar do tema.
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