| Subject: Re: Cosmopolitismos |
Author:
António Fagundes
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Date Posted: 14/09/04 18:26
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Re: Cosmopolitismos" on 14/09/04 17:36
???
???
???
António Fagundes.
>>O partido a que me queria referir era a Liga dos
>>Comunistas, em cujo congresso de fundação (por
>>sucessão à Liga dos Justos) foi apresentado o
>>Manifesto do Partido Comunista. Se não era um partido,
>>mesmo que modesto, não sei o que seria, tanto mais que
>>até o seu próprio manifesto de constituição se
>>intitulou Manifesto do Partido Comunista. De qualquer
>>modo, apesar de modesto, os seus objectivos eram
>>ambiciosos...
>
>
>A Liga em Londres funcionava mais como um clube, com
>umas conferências, uns saraus e pouco mais. Na
>Alemanha desenvolvia alguma actividade clandestina e
>conspiratória, de que resultaria o famoso processo dos
>comunistas de Colónia. Mas nunca teve expressão
>nacional.
>
>
>>Mas o que estava em causa era a sua afirmação de que
>>"Marx pensava precisamente que os trabalhadores se
>>elevavam natural e espontaneamente a uma consciência
>>universal". Se assim fosse, não se compreenderia
>>porque se empenhariam intelectuais da envergadura de
>>Marx e de Engels em integrar aquele partido e em
>>empenhar-se em levar ao proletariado a sua visão do
>>Mundo e a sua crítica da economia política.
>
>
>A "visão do mundo" não foram Marx e Engels a levá-la
>ao proletariado. Nem isso seria possível. Terá sido
>mais o contrário. Marx e Engels têm ambos já um
>determinado percurso intelectual de rebeldia e de
>evolução filosófica quando, após o seu encontro com a
>classe operária (e depois um com o outro), se fixaram
>numa determinada "weltanschaung" que eles plasmaram na
>crítica da 'Ideologia Alemã'. Uma "visão do mundo"
>pode ser ensinada numa seita milenarista, mas não ao
>nível da classe operária da Europa inteira. Aliás,
>trabalhos filosóficos de um operário auto-didacta,
>Dietzgen, chegaram independentemente de Marx e Engels
>aos mesmos resultados, que depois se denominariam de
>materialismo dialéctico.
>
>A crítica da economia política, sim. Isso aí é um
>trabalho científico original dos dois. Mais de Marx,
>claro. Mas curiosamente, o impulso inicial foi de
>Engels.
>
>Uma consciência universal não é necessariamente um
>conhecimento enciclopédico. Falo aqui essencialmente
>de uma determinada atitude na vida e de se conhecer o
>seu lugar no mundo, dentro de uma organização social
>dada, independentemente de se ter nascido espanhol ou
>etíope. Isso e algumas regras de pensamento básicas.
>Digamos que serão as bases, os alicerces nus daquilo
>que Bento Caraça viria a chamar a "cultura integral do
>indivíduo".
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