| Subject: Re: Cosmopolitismos |
Author:
Ângelo Novo
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Date Posted: 14/09/04 17:36
In reply to:
António Fagundes
's message, "Re: Cosmopolitismos" on 13/09/04 23:38
>O partido a que me queria referir era a Liga dos
>Comunistas, em cujo congresso de fundação (por
>sucessão à Liga dos Justos) foi apresentado o
>Manifesto do Partido Comunista. Se não era um partido,
>mesmo que modesto, não sei o que seria, tanto mais que
>até o seu próprio manifesto de constituição se
>intitulou Manifesto do Partido Comunista. De qualquer
>modo, apesar de modesto, os seus objectivos eram
>ambiciosos...
A Liga em Londres funcionava mais como um clube, com umas conferências, uns saraus e pouco mais. Na Alemanha desenvolvia alguma actividade clandestina e conspiratória, de que resultaria o famoso processo dos comunistas de Colónia. Mas nunca teve expressão nacional.
>Mas o que estava em causa era a sua afirmação de que
>"Marx pensava precisamente que os trabalhadores se
>elevavam natural e espontaneamente a uma consciência
>universal". Se assim fosse, não se compreenderia
>porque se empenhariam intelectuais da envergadura de
>Marx e de Engels em integrar aquele partido e em
>empenhar-se em levar ao proletariado a sua visão do
>Mundo e a sua crítica da economia política.
A "visão do mundo" não foram Marx e Engels a levá-la ao proletariado. Nem isso seria possível. Terá sido mais o contrário. Marx e Engels têm ambos já um determinado percurso intelectual de rebeldia e de evolução filosófica quando, após o seu encontro com a classe operária (e depois um com o outro), se fixaram numa determinada "weltanschaung" que eles plasmaram na crítica da 'Ideologia Alemã'. Uma "visão do mundo" pode ser ensinada numa seita milenarista, mas não ao nível da classe operária da Europa inteira. Aliás, trabalhos filosóficos de um operário auto-didacta, Dietzgen, chegaram independentemente de Marx e Engels aos mesmos resultados, que depois se denominariam de materialismo dialéctico.
A crítica da economia política, sim. Isso aí é um trabalho científico original dos dois. Mais de Marx, claro. Mas curiosamente, o impulso inicial foi de Engels.
Uma consciência universal não é necessariamente um conhecimento enciclopédico. Falo aqui essencialmente de uma determinada atitude na vida e de se conhecer o seu lugar no mundo, dentro de uma organização social dada, independentemente de se ter nascido espanhol ou etíope. Isso e algumas regras de pensamento básicas. Digamos que serão as bases, os alicerces nus daquilo que Bento Caraça viria a chamar a "cultura integral do indivíduo".
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