VoyForums
[ Show ]
Support VoyForums
[ Shrink ]
VoyForums Announcement: Programming and providing support for this service has been a labor of love since 1997. We are one of the few services online who values our users' privacy, and have never sold your information. We have even fought hard to defend your privacy in legal cases; however, we've done it with almost no financial support -- paying out of pocket to continue providing the service. Due to the issues imposed on us by advertisers, we also stopped hosting most ads on the forums many years ago. We hope you appreciate our efforts.

Show your support by donating any amount. (Note: We are still technically a for-profit company, so your contribution is not tax-deductible.) PayPal Acct: Feedback:

Donate to VoyForums (PayPal):

Login ] [ Contact Forum Admin ] [ Main index ] [ Post a new message ] [ Search | Check update time | Archives: 12345[6]789 ]
Subject: Re: Sobre Álvaro Cunhal


Author:
Luis Blanch
[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]
Date Posted: 20/09/04 10:27
In reply to: Ângelo Novo 's message, "Sobre Álvaro Cunhal" on 17/09/04 19:54

É difícil não "topar" , ao longo do percurso mais ou menos sinuoso que me foi dado percorrer, com uma personalidade tão arguta e meticulosa como o do A. Novo, que de um dirigente tão decisivo e inspirador como Cunhal ,consegue dele fazer um curto mas claro retrato sem resvalar mínimamente para a sua desvalorização histórica.
Foi pena não nos termos ,ainda, encontrado...

L.Blanch

>>Não é assim muito importante deixar um nome para a
>>posteridade. Como dizia José Martí, toda glória e a
>>riqueza do mundo cabem bem num grão de arroz. O que é
>>importante é, dentro dos limites das capacidades
>>próprias, conduzir a sua vida de uma forma que faça
>>sentido e ilumine caminhos para quem vem a seguir.
>>
>>A. Novo
>
>
>
>
>Esta questão da necessidade de afirmação pessoal,
>vaidades, etc., sugere-me um filão de reflexões um
>pouco heterodoxas.
>
>Não há dúvida nenhuma de que uma das causas do
>(relativo) sucesso popular do comunismo português é
>também um dos factores mais desfavoráveis, senão o
>factor mais desfavorável, ao seu renovamento. Eu acho
>que o PCP, provavelmente de forma não intencional,
>tocou numa corda funda de sentimento religioso
>popular.
>
>O facto de haver um grupo de homens educados,
>talentosos, belos (Soeiro), que desdenharam da vida
>confortável que poderia ter sido a sua, largaram tudo
>para se interessar pela sorte dos mais desvalidos, dos
>mais oprimidos, e lutar por ela, correndo com isso
>riscos enormes e pagando um preço efectivo em sangue,
>esse facto calou muito fundo na imaginação popular.
>
>Teve um efeito de incomum, de "maravilhoso", de
>encantamento. Foi como que algo caído do céu, passou
>as fronteiras da experiência comum desta vida vil e
>interesseira. É como que uma revelação divina. Quem a
>experimenta fica tocado para sempre. Mesmo que venha a
>desludir-se, a partir daí a vida passa a saber a merda.
>
>Esse efeito ainda hoje perdura e é, essencialmente, o
>que faz a diferença do PCP em relação a todos os
>outros partidos (BE incluído). Noutro dia vi uma
>entrevista com uma senhora idosa na festa do Avante e
>ela dizia essencialmente isso: este partido não é como
>os outros, este é SINCERO.
>
>Contra este efeito de SINCERIDADE, que é encarnado
>ainda hoje basicamente na figura e na personalidade de
>Álvaro Cunhal (e seus companheiros/apóstolos mais
>fiéis), nada poderiam naturalmente os "renovadores",
>encabeçados por uma gente engravatada sem qualquer
>densidade que, está-se mesmo a ver, são exactamente
>como "os outros" e não tardam nada a fazer-se com
>eles.
>
>Ora, Álvaro Cunhal tem certamente "auréola", mas não é
>absolutamente seguro que seja santo (o que quer que
>isso seja). É uma personalidade muito complexa mas na
>qual, como Pacheco Pereira argutamente ressalta, se
>nota um orgulho desmedido. Ele procura lutar contra
>esse orgulho, recalcá-lo, atingir um estado de
>absoluto despojamento pessoal. Mas o orgulho assoma
>sempre de volta e ele sempre foi absolutamente
>implacável na luta com os seus rivais.
>
>Embora tenha escrito muito, não é um grande escritor.
>Teoricamente não tem grande interesse. O seu marxismo
>é esquemático, sem qualquer brilho próprio. A sua
>argumentação torrencial é muitas vezes tomada pelo
>sentimentalismo e um veio moralizante. Talvez tivesse
>podido ser um grande escritor de ficção, mas isso
>ficou também por demonstrar.
>
>No que respeita às suas relações com a União
>Soviética, espanta-me a sua completa falta de lucidez,
>praticamente única entre os grandes dirigentes
>comunistas do Ocidente. Ou ele era uma personalidade
>extremamente crédula ou então deixou-se lisongear
>pelos apparatchiks soviéticos, tornando-se
>praticamente um deles. Insubornável materialmente,
>talvez não o fosse inteiramente no seu orgulho.
>
>Seja como for, custou e custa ainda muitíssimo caro ao
>PCP o estado de absoluta dependência política e moral
>em que se colocou até à última hora (e para lá dela)
>em relação à União Soviética.
>
>
>A. Novo

[ Next Thread | Previous Thread | Next Message | Previous Message ]


Post a message:
This forum requires an account to post.
[ Create Account ]
[ Login ]
[ Contact Forum Admin ]


Forum timezone: GMT+0
VF Version: 3.00b, ConfDB:
Before posting please read our privacy policy.
VoyForums(tm) is a Free Service from Voyager Info-Systems.
Copyright © 1998-2019 Voyager Info-Systems. All Rights Reserved.