| Subject: Re: AS EXPERIENCIAS PRÀTICAS NÃO CONTAM? |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 2/09/04 11:07
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Re: AS EXPERIENCIAS PRÀTICAS NÃO CONTAM?" on 1/09/04 17:33
Caro Guilherme Statter:Eu já hoje penso que a exposição do Capital parte duma vertiginosa abstracção, aparentemente muito afastada do concreto.
A análise que Lénin fez `a ultima parte da obra direccionou-se para o estudo duma sociedade capitalista , tomada em toda a sua complexidade , incluindo os momentos da formação económico-social que uma sociedade puramente industrial e capitalista teria absorvido ou eliminado. Foi ele que fez e tornou a análise do Capital mais dinâmica e com efeitos politicos mais expressivos denunciando certas ingenuidades e colocando no seu devido lugar a forma ou categoria do Valor que se tinha revelado duma " subtileza teológica " e até duma "existência Antedeluviana" ,nas expressões do próprio Marx ;
no sentido de que o valor mercantil existira antes do capitalismo.
Posteriormente reconhece-se que é no e com o capitalismo que a forma do valor alcança a máxima amplitude ,pois tudo se torna mercadoria - ela é a forma celular do sistema.
A célula ,porém, não vive fora do organismo e o conhecimento anatómico-fisiológico deste organismo obriga -nos a não deixar de lado nem a história desta,nem a sua relação dialéctica com o todo.
Daí que se possa reiterar a ideia de que a lei valor e toda a problemática que sobre ela se faça tem que dialécticamente ter em conta que tem as suas condições e subtilezas históricas- Marx pressentiu que a lei valor ,mesmo no quadro da formação económica do capitalismo ,pode e sofre mitigações ao nível da exploração do trabalho. Penso que é isso que Marx quis dizer.
Caro Luís Blanch,
>Faz bem ao trazer à colação a vertente de experiência
>história concreta de tentativas de "construir o
>socialismo" (ponho entre aspas, porque se trata, como
>se rá evidente de um tema MUITO vasto...)
>E é importante trazer "isto" à colação, na medida em
>que uma coisa será a discussão teórica (com base em
>pressuspostos "postulados" ("descobertos" ou
>"inventados"...) e outra coisa será reflectir sobre "e
>agora o que é que fazemos com esta reflexão e com as
>experiências concretas já vividas?...
>Há uma coisa na sua reflexão que me pareceu merecer
>mais discussão. É quando diz
>
>
>>Mostra históricamente como nasceu a
>>mercadoria , nos poros da antiga sociedade -
>>como é que a lei do valor é uma lei que tem
>>as suas condições históricas ,um domínio de
>>aplicação , uma área - tem limites.
>>Existe aqui uma dialéctica súbtil e profunda
>>que Marx não esclareceu.
>Em particular quando escreve esta última frase "que
>Marx não esclareceu".
>Na medida em que isso possa ser útil para melhor
>compreender o mundo presente, (sublinho!!!),
>importa-se o Luís Blanch de aprofundar um pouco esta
>sua ideia?...
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter
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