| Subject: intensidade de trabalho e força de trabalho |
Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 31/08/04 16:43
In reply to:
Guilherme Statter
's message, "Re: TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1" on 31/08/04 0:29
apoio os (bons) argumentos do Statter
acrescento que Correia ainda não nos mostrou como, para além da força de trabalho, poderá acontecer criação de valor. Se não é a dita cuja, como é que se explica? Como é que o endoscópio, talvez uma das mais prodigiosas máquinas, produz sozinho endoscopias? Aliás, isto nem se pode falar em contestação ao marxismo mas a toda a economia clássica.
O argumento do homem que mexe botões em ambiente climatizado, e o outro que se esfola em ambiente inóspito, da agicultura de sol a sol, tipo vindimas no douro, não poder ser mais explorado aquele do que este, é realmente um ponto uma bocado antigo.
Correia acha que a intensidade - física, consumo de músculo, cérebro e tendões - do trabalho é que se associa com exploração. Assim, a luta dos explorados, se Correia porventura tem em vista contribuir para alguma justiça neste mundo, é antes de tudo a luta dos que trabalham intensamente e em ambiente inóspito. E tanto quanto possível, direi eu talvez exorbitando do pensamento de Correia, deve essa luta procurar alcançar um trabalho menos intenso e mais climatizado.
Sem querer desvalorizar a importãncia da luta por melhores condições de trabalho que eliminem a penosidade e a monotonia do dito trabalho, não posso deixar de sublinhar que Correia parece estar já a afastar-se do que é crucial em marx e que é a crítica do capitalismo e da convocação à luta contra o dito.
De facto o que determina o grau de exploração é em primeiro lugar o diferencial entre o valor produzido no final do ciclo de produção e o valor remunerado pelo valor da força de trabalho.
Se o homem dos botões recebe 1200 euros de ordenado e produz 12000 euros de valor no seu tempo mensal de trabalho são-lhe arrancados a favor do capitalista 10800.
Se o operário do Douro (geralmente são operários agrícolas) recebe 600 e o valor da produção no final do ciclo de produção e do seu tempo mensal de trabalho for de 2000 são-lhe arrancados 1600, muito menos de facto do que ao homem dos botões.
Portanto, marxismo e luta contra o capitalismo nada tem que ver, ou pouco tem que ver, com uma identificação genérica com os pobres e mal pagos e sujeitos a grandes intensidades de rítmos de trabalho. Tem obviamente a ver com isso, mas tem sobre tudo a ver com o que é arrancado ao trabalhador a favor do capitalista.
E, nesse plano, emerge em termos subjectivos o papel de sujeito histórico porventura até mais enérgico e amadurecido dos trabalhadores altamente preparados e eventualmente bem remunerados porque neles a noção de exploração é mais nítida e flagrante. Por outro lado, são estes trabalhadores e não necessáriaemente os indiferenciados que mais clara noção têm do seu papel na organização da produção e da sua indispensabilidade na organização desse processo. O mexer em botões tem muito que se lhe diga.
Finalmente, o que determina a diferença das remunerações entre o homem dos botões e o operário do Douro, não tem obviamente a ver com o facto de o trabalho de um levar à criação de um valor de magnitude diferente do outro. Tem, segundo se pode resumidamente argumentar, com o facto do custo de trabalhador que mexe em botões ser maior do que o custo de um trabalhadore que anda nas vindimas do douro. Entendidos nesse custo os custos de manutenção e de reprodução dessas diferentes mãos de obra
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