| Subject: O Trabalhismo 2 ou a Repetição Histórica |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 20/08/04 9:55
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Re: Um bom partido trabalhista ,Terceira Via?" on 19/08/04 16:37
>Amigo Jorge ,De facto penitencio-me pela precipitação da resposta.
No entanto ,tenho por mim , que a via trabalhista está,não só longe da nossa tradição politica e sindical como está ,também ao arrepio do movimento social do capitalismo e da sua revolução social.
Actualmente ,em plena terceira revolução industrial, nos quadros institucionais oriundos dessa revolução social ,prossegue a marcha destruidora de qualificações profissionais e criadora de novas qualificações ,cada vez mais adquiridas em escolas especializadas.
As telefonistas ,as secretárias ,os arquivistas ,os operadores de máquinas automáticas etc. , são progressivamente substituídos por digitadores ,montadores e reparadores de micros, criadores e adaptadores de softwares... Estas ondas
que , inegavelmente desestruturam o mundo do trabalho, desencadeadas pela competitividade intercapitalista, provocam reacções semelhantes nas suas vítimas ,no proletariado como designação genérica.
Uma análise que se faça às reacções da classe operária britânica à primeira revolução industrial e a mudança institucional afectando a classe trabalhadora,nivelando o proletariado por baixo ,tranformando-os em operadores de máquinas semi-qualificados , é um efeito crucial nesta primeira revolução industrial e que se repete na segunda e na terceira como resultado desta, e permitindo ,quanto a mim , generalizações relevantes para o entendimento do capitalismo contemporâneo.
Uma dessas generalizações é ,concerteza ,a formulação de um projecto social alternativo ao capitalismo , em que se combinam as novas forças produtivas com relações de produção concebidas para superar a exclusão social e suscitar uma repartição
mais igualitária do rendimento e, portanto ,dos ganhos decorrentes do avanço das forças produtivas .
O fracasso decorrente das experiências socialistas ,inspiradas em Marx ,inegavelmente , levam como já referi, a um refazer da história em que as vítimas do capital irão regressar ao ponto de partida.
Claro que este ponto de partida não será o da primeira revolução industrial ,pois ele não pode deixar de incorporar o nível actual de desenvolvimento das forças produtivas. Precisa-se de um projecto socialista alternativo, não à base da imaginação utópica,ou de uma recriação falhada de trabalhismo , mas à base da experiência da História.
O utópico Robert Owen não tirou a "aldeia cooperativa" da fantasia mas da experiência vivida em New Lanark e tratou de replicá-la em New Harmony nos USA.Estas tentativas, além de outras no mesmo sentido, fracassaram mas, mesmo assim ,deixaram um legado importante de experiências.
Todo este legado histórico parece-me importante; o movimento operário ,em qualquer caso, encontra-se perante um trabalho de Sísifo -as suas principais conquistas têm de ser refeitas porque foram alicerçadas em relações de trabalho que a nova revolução industrial e o neoliberalismo estão a destruir.
>Caro Blanch
>
>Já sei onde foste buscar aquilo que afirmas. Foi que
>eu encimei o meu texto com uma citação entre aspas do
>meu interlocutor, simplesmente não referi onde foi
>tirada e deu logo uma enorme confusão.
>Um abraço
>Jorge
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