| Subject: Re: A CHINA e o Socialismo de Mercado |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 20/08/04 16:14
In reply to:
António Fagundes
's message, "Re: A CHINA e o Socialismo de Mercado" on 20/08/04 15:45
Amigo António Fagundes ,Reservando-me o direito de não embandeirare em arco com o resvalar da China para um mar de contradições que, admito, possa conduzir ao fim generalizado do socialismo, grosso modo posso aceitar o que diz com clareza.
De facto, quem dispõe de dados credíveis sobre este país não lhe vê outro caminho,em face das reformas profundas em curso.
,neste contexto>“Um País 2 Sistemas, ou modernamente, ‘socialismo de
>mercado com características chinesas’". Eis um bom
>tema para discussão. Aqui vai, portanto, o meu
>contributo.
>
>A China – mais notoriamente do que a extinta União
>Soviética, porque nela coexistem o chamado socialismo
>com o capitalismo privado – é exemplo que deveria ser
>estudado com atenção pelos comunistas marxistas,
>marxistas-leninistas e marxistas-leninistas-maoistas,
>para dele tirarem algumas ilações que se impõem.
>
>Deixando de lado os aspectos meritórios da revolução
>nacional e democrática dirigida pelos comunistas
>chineses, que nunca será de mais realçar por ter
>proporcionado a conquista da dignidade e da
>independência nacional, a China constitui o paradigma
>da falência do chamado modo de produção comunista, que
>em lado algum conseguiu ultrapassar a fase de
>socialismo e foi incapaz, de todo, de competir com o
>capitalismo privado.
>
>Apesar dos entraves à livre empresa que o regime ainda
>mantém, os elevados níveis de desenvolvimento
>económico atingidos a partir da abertura ao
>capitalismo privado, que com a liberalização dos
>mercados terá ainda, eventualmente, condições para se
>manter por alguns anos sem alterações muito
>significativas, são exemplo de duas coisas: por um
>lado, que o capitalismo privado é susceptível de
>proporcionar índices de desenvolvimento mais elevados
>e a maior ritmo; por outro lado, que a conjugação do
>regime da livre empresa com o cerceamento da liberdade
>sindical, do direito de greve (e com os baixos
>salários que da sua conjugação resulta) e de muitas
>outras liberdades sociais e políticas é quase o
>paraíso para a exploração capitalista.
>
>É este “quase paraíso” – conjugando sectores de
>economia estatizada ou cooperativa de produção de
>matérias-primas básicas, de produtos agrícolas ou de
>grande intensidade de mão-de-obra e de condições
>gerais de produção com sectores de economia privada de
>produtos industriais de grande composição orgânica de
>capital, promovendo o emprego e a transferência da
>força de trabalho do campo para a indústria e
>aproveitando as aberturas dos mercados – que os
>comunistas chineses, com o maior dos despudores,
>designam por “socialismo de mercado”.
>
>A mistificação que o socialismo constituiu – não
>apenas o socialismo chinês ou o soviético, mas o
>socialismo em geral – é agora ultrapassada com esta
>outra mistificação do “socialismo de mercado”. Ainda
>bem que apesar desta farsa uma parte do povo e dos
>trabalhadores assalariados chineses passou a usufruir
>de salários e de um nível de vida um pouco melhores.
>Mas quando a luta por uma vida melhor levar à quebra
>dos espartilhos que ainda hoje impedem a livre
>circulação das pessoas e à rotura do regime ditatorial
>dos burocratas comunistas, o afluxo de camponeses às
>cidades e às zonas industriais, os problemas
>habitacionais, o desemprego crescente (com a
>incapacidade dos afluxos de capital em absorverem um
>volume acrescido de força de trabalho) conduzirão à
>agudização dos conflitos sociais de toda a ordem, os
>quais acabarão por fazer implodir o regime.
>
>Por enquanto, a partilha do poder entre a burocracia
>comunista e a burguesia (que chegou ao cúmulo da
>abertura do partido à filiação de capitalistas
>privados, o que não sendo totalmente novidade, porque
>no tempo da revolução houve simbioses parecidas, é
>revelador do despudor da manipulação a que o regime se
>permite…) parece convir a ambas. Resta saber por
>quanto tempo se aguentará. Eventualmente, o tempo que
>os trabalhadores assalariados chineses demorarem a
>construir o seu próprio movimento sindical e a
>erigirem a sua própria representação política, se para
>tanto tiverem capacidade de resistência e de
>iniciativa.
>
>Oxalá cá estejamos para ver.
>
>António Fagundes.
>
>
>> Como refere Ramonet no Monde Diplomatic dizia-se
>> antes "No dia em que a China despertar
>>"...sugerindo a ideia de que pairava uma ameaça
>> sobre o planeta .
>>A China ,de facto ,tem vindo a mostrar a sua
>>capacidade para superar com exito as
>>circunstancias que afectavam a sua evolução ;a
>>classe política demonstrou ,nas ultimas décadas ,
>>um elevado pragmatismo e sensibilidade no
>>sentido de preservar as ideias de Deng Xiaoping
>>que abria vias de crescimento económico para o
>>seu país através da compatibilização entre o
>>regime comunista e a economia de mercado - Um
>>País 2 Sistemas, ou modernamente, "socialismo de
>>mercado com características chinesas".
>>
>>Para a evolução política chinesa podem ser
>>referidos como factores mais relevantes o
>>pragmatismo,o continuismo,o gradualismo e a
>>influência que parece ter tido o fim do sistema
>> soviético.
>>O que parece mais controvertido é o espectáculo
>> observável ,não de uma coexistência de
>>pacificação entre uma China agrária , tradicional
>> e pobre vivendo paredes meias com uma China
>>urbana onde floresce uma burguesia industrial e
>>comercial cercada fisicamente por um
>>sub-proletariado que se amontôa nas cinturas
>>urbanas e que foge à miséria dos campos.
>>Estas contradições crescentes têm sido iludidas
>>pelos resultados espectaculares das exportações
>>que tem permitido uma descolagem económica de
>>crescimento do PNB acima dos 9 por cento.
>>A par disto a China já dispõe de um grande
>>parceiro económico : os USA que, assinale-se , têm
>> um deficit comercial com a China de 130 mil
>>milhões de dólares ,só em 2003...
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