Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 25/08/04 0:20
Deixei aqui há tempos neste forum uma provocação relativa à ideia de exploração (e à sua "bondade"...), tendo dado origem a alguns mal-entendidos que talvez não fosse mal esclarecer...
Desde logo o significado corrente (mas oficioso) do termo "exploração". É que estamos perante dois paradigmas alternativos e competindo entre si pela mais adequada explicação das coisas deste mundo social e económico.
Por um lado, os que adoptam os óculos do marginalismo (os que, mesmo sem querer, alinham com o chamado "Washington Consensus") para ver a realidade social e económica.
Para esses só há exploração quando se trata de crianças, imigrantes (ou até mesmo escravos).
Por exemplo, um artigo no "MULTINATIONAL MONITOR" tem o esclarecedor título de "Migrating from
Exploitation to Dignity - Immigrant Women Workers
and the Struggle for Justice".
Ou ainda, em http://www.vachss.com/help_text/exploitation.html
é possível ver uma série de casos de "exploração".
Também em
http://www.ciw-online.org/7-ed7.html
é possível encontrar um artigo com o lindo título de
"Migrant workers - Exploitation still exists"
Mas há mesmo uma agência do governo dos United States of America que também se dedica à vigilância anti-exploração!!!
É uma "civil rights division" do Departament of Justice", é ver em
http://www.usdoj.gov/crt/crim/tpwetf.htm
Pois é...
Para estes senhores quando as empresas pagam razoavelmente (o valor da força-de-trabalho, diria um "subversivo" de um marxista...), então nesse caso não haveria "exploração".
Haverá variantes a esta escola de pensamento. Desde aqueles que veem exploração intra-familiar (em particular das mulheres pelos maridos) até àqueles que veem a exploração APENAS quando há pilhagem, roubo ou extorsão por via da intrusão do Estado (ou de outros poderes "políticos") numa troca supostamente não-desigual, mesmo até entre partes livremente contratantes.
Por outro lado haverá aqueles que, na tradição de Marx, utilizam os óculos da sua Teoria do Valor e entendem que existe exploração sempre que uns se apropriam (para seu usufruto pessoal, presente ou futuro) do valor produzido pelo trabalho excedente de outros. Para estes, todas as empresas quer paguem MUITO bem, quer paguem "assim assim", exploram a força-de-trabalho de todos os seus trabalhadores (independentemente de "explorarem mais uns do que outros", ou não...).
Haverá aqui também variantes. Desde logo aqueles que estendem o conceito de exploração (para algumas pessoas de forma se calhar abusiva) e refinando o seu grau de abstracção (de modo a poder torná-lo mais operacional) passam a ver a exploração como uma simples relação matemática entre (A) o "custo de reprodução de força-de- trabalho" (tal como ela existe nas suas características actuais) e (B) o "valor do excedente produzido" pelo consumo da mesmas 'X' unidades de força-de-trabalho.
Com este "refinamento" do conceito (é o mesmíssimo de anteriormente, só que mais geral na sua formulação...), passamos a poder falar de "auto-exploração".
E é assim que é MUITO dificil o diálogo (quanto mais agora o debate) entre dois paradigmas, um dos quais diz simplesmente que não há exploração...
Mas fico-me por aqui.
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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