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Date Posted:22/07/04 18:44 In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "A esquerda e os media" on 21/07/04 16:17
Tenho de concordar.
A falta de habilidade da direcção do PCP para tratar com a comunicação social é que tem levado ao facto de a mensagem do partido não passar.
E leiam-se os comunicados da Comissão Política que saem volta e meia e depois digam-me lá se com aquele paleio algum jornalista se sente motivado para dar relevo ao conteúdo.
>A esquerda e os media
>
>Vem isto a propósito de um texto que Gonçalo Valverde
>escreveu para este fórum sobre a importância que
>media dão ao Bloco de Esquerda e não concedem ao PCP.
>Há, em alguns dos poucos ideólogos que pontificam no
>PCP, uma interpretação da realidade que vai buscar ao
>materialismo histórico aquilo que ele tem de mais
>mecanicista e datado. Este facto já foi referido por
>mim a propósito de um texto que foi aqui colocado
>sobre as “faces do oportunismo” e é agora retomado
>relativamente à relação directa que existe entre o ser
>mais ou menos anti-capitalista e a importância que os
>media dedicam aos diferentes movimentos de esquerda.
>Em relação às “faces do oportunismo”, que mereceu
>amplo destaque entre os seus defensores, porque não só
>foi transcrito neste fórum como igualmente no
>Resitir.info,
>já fiz a crítica apropriada. Voltando novamente a
>repisar de que não é possível fazer uma equivalência
>automática entre o “oportunismo” e a sua assunção por
>grupos sociais menos retintamente operários.
>Quanto a esta afirmação de que os media burgueses, e
>desgraçadamente todos eles são hoje dominados pelo
>grande capital, concedem maior importância aos
>Partidos consoante eles são mais ou menos
>anti-capitalistas e por isso o PCP, teria muito menos
>referências que o Bloco de Esquerda , tolerado pelo
>sistema, é, quanto a mim, uma explicação mecanicista
>ou, se quiserem, releva do marxismo mais vulgar.
>Esta concepção que em momentos de grande crise
>revolucionária, com confrontos de classe violentos, é
>real, e todos nós conhecemos experiências que vão
>nesse sentido. Veja-se o que se está a passar com os
>media na Venezuela. Deixa de ter grande importância no
>Portugal de hoje, em que os media querem pura e
>simplesmente vender ou ter audiências, não se
>importando para isso de vender a própria mãe se for
>caso disso.
>Como é possível que alguém que tem do Partido a ideia
>de que este se deve conservar ainda como nos tempos da
>clandestinidade, ou se preferirem que deve manter
>intacto o centralismo democrático, mais centralista
>que democrático, pode acreditar que isso entusiasma os
>media. Veja-se a entrevista do Carvalhas na RTP, em
>que este garante que é o colectivo partidário que irá
>apreciar na altura própria a sua manutenção como
>Secretário-Geral do PCP. Só de facto, as dissidências
>sérias, como as que se verificaram com os renovadores
>comunistas, podem despertar o interesse dos media,
>pois dão sempre a ideia de fuga de informação ou de
>violar um interdito. A juntar a tudo isto a linguagem
>de palha que é utilizada normalmente pela Direcção do
>PCP, que, podendo servir para relatórios do Comité
>Central, é incapaz de despertar o interesse de
>qualquer jornalista do nosso tempo. Relacionem isto
>com a agilidade e até a habilidade do Louçã ou mesmo
>do Fernando Rosas e comparem-nas com as intervenções,
>por exemplo, do Bernardino Soares.
>É evidente que isto não é só um problema de maior
>jeito ou destreza ou uma melhor adaptação aos novos
>modos de fazer política, mas se quiserem, e aqui
>puder-me-ei servir do materialismo histórico, uma
>postura diferente, correspondente a novos grupos
>sociais em ascensão, muito mais dinâmicos e
>consentâneos com os actuais meios de comunicação.
>Pensem nisto sem dogmatismo e digam qualquer coisa.
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