| Subject: Re: Mercado sem assalariamento? |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 13/08/04 12:10
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "Mercado sem assalariamento" on 12/08/04 16:07
Caro Fernando, o mercado tal como tem sido objecto e suporte de modelos de desenvolvimento económico, pode e deve ser uma das expressões práticas, concretas , do estádio de desenvolvimento das forças produtivas ,por um lado , e por outro pode e deve reflectir um determinado modo de produção.
Deduz-se que o desenvolvimento do sistema capitalista se desenvolve no quadro de um ajustamento ,tão correcto e eficaz quanto ele deseja, dos produtos oferecidos às "necessidades" solicitadas por esse mercado (os) .
Esses produtos ,ou bens, são dirigidos pelos produtores, pelas empresas,para o mercado que retira maior satisfação (mais vendas) e lhes atribui
maior valor .
Isso implica conhecer as diferentes apetencias dos compradores, o que releva de informação e outras técnicas que, ao longo dos anos o capitalismo (o sistema de mercado) tem vindo refinadamente a desenvolver , sempre dirigidos à maximização do lucro dos produtores.
O mercado é uma inerencia do capitalismo assegurando as relações de troca entre os detentores da produção e ,das empresas , e o exterior.
No sistema capitalista uma empresa só existe porque tem clientes , indivíduos ou organizações que reconhecem a mais valia da sua oferta em relação à concorrência , e se dispõem a pagar para que a empresa subsista nesse mercado.
O centro de gravidade do sistema está nessa permanente dinâmica da criação de uma procura insaciável de bens ,muito para além das necessidades de cada momento histórico.
É também importante enfatizar que um mercado deficitário de bens,de produtos, e onde porventura haveria poder aquisitivo ( é o caso dos países económicamente avançados do CAEM) tende a degradar a qualidade na pouca diversidade dos bens produzidos e,inevitavelmente , a gerar descontentamento,a estimular "a candonga" o mercado negro, explicitando os vícios mais degradantes da especulação capitalista.
Assim como ao falar-se de socialismo não nos podemos dissociar de Marx , quando referimos mercado temos em mente a sociedade de mercado,que
não é para todos em grande numero de países,mas que caracteriza uma especificidade de um modo de produção - onde há maximização do lucro ,apropriação do valor trabalho, desemprego competitividade darwinista,com evidentes desvalorizações sociais...
>
>dizes tu:
>
>"E se te provassem que (até agora!) ainda não se
>inventou melhor mecanismo social (do que o mercado
>regulado) para maximizar a produção com custos
>socio-ambientais mínimos?"
>
>Ora eu não tenho nada contra o mercado desde que se
>acabe com uma mercadoria chamada "força de trabalho".
>
>Eu penso que o mercado não tem culpa nenhuma de haver
>relações capitalistas de produção. Quanto a mim pode
>perfeitamente haver mercado sem haver assalariamento e
>a correspondente exploração.
>
>Acerca disto os tais candidatos são competamente
>omissos ou, ainda pior, clamam por "mais emprego"
>(eles querem dizer assalariamento) sem perceber que
>não é esse o caminho.
>
>Se alguém me convencesse de que as relações de
>produção capitalistas eram o melhor que podíamos obter
>eu arrumava as botas da política; penso que não há
>esse perigo.
>
>Aqueles que se assumem como dirigentes políticos é que
>têm obrigação de ver mais longe e mostrar o caminho.
>Se ainda não se encontrou solução melhor do que a que
>temos é a eles que compete propô-la.
>
>Claro que em vez de resolver os problemas é muito mais
>simples, com o dinheiro dos outros, distribuir
>subsídios.
>Isso também eu fazia.
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