| Subject: Muito bem analisado |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 16/07/04 16:52
In reply to:
Jorge Cordeiro, Avante, 15/07/04
's message, "Opção pela direita" on 15/07/04 23:36
>Opção pela direita
>Jorge Cordeiro, Avante, 15/07/04
>
>Dir-se-ia que a crise acabou. A direita suspira de
>alívio, os grandes grupos económicos exultam, a UGT em
>descanso por dever cumprido, Jardim de regresso á
>ilha, os Luises Delgados cá da praça postos em sossego
>depois do dever que os mandaram cumprir.
>
>Olhando por esse lado, o país parece ter voltado á
>normalidade, os «golpes de estado» (o que ameaçava o
>PSD segundo Ferreira Leite, e o que pairava sobre o
>país segundo João Jardim) afastados.
>
>E, conquista suprema, a estabilidade — essa oitava
>maravilha do mundo e exaltante desígnio nacional —
>finalmente regressada.
>
>Registe-se na ocasião os que aplaudem e as razões
>porque fundadamente o fazem.
>Não porque tenha triunfado a estabilidade do país, mas
>porque foi garantida a estabilidade dos seus
>interesses económicos.
>
>Não por qualquer razão sobre o alegado respeito para
>com o programa sufragado há dois anos mas por razão de
>quererem ver assegurado o prosseguimento de uma
>política que, colocadas de lado as promessas
>eleitorais, melhor cumpre na ocasião o caderno de
>encargos do grande capital.
>
>A estabilidade não é um conceito neutro, despido de
>conteúdo e á margem dos interesses de classe a quem,
>de momento, serve.
>
>Aquela estabilidade que agora triunfou, a que os do
>costume identificavam como sinónimo do prosseguimento
>da desastrosa política de Durão Barroso, não é
>seguramente a estabilidade a que a esmagadora maioria
>dos portugueses e portuguesas aspiravam.
>
>Será seguramente a estabilidade dos interesses
>instalados, da acumulação brutal de lucros à conta da
>especulação financeira e do leilão do património
>nacional, da oportunidade de negócio com a
>mercantilização das funções sociais do Estado.
>
>Mas não é certamente a estabilidade a que, justa e
>legitimamente aspiravam, os milhares de portugueses
>confrontados com a perda progressiva do seu poder de
>compra, os baixos salários, as reformas de miséria, o
>encerramento das empresas ou a expropriação de
>direitos.
>
>Quem agora, como o Presidente da República, decidiu
>por uma contra a outra, não pode fugir a esse
>julgamento: a de ter decidido em nome dos mais
>poderosos, dos interesses económicos dominantes e das
>ambições inesgotadas de uma direita que, agora
>revigorada com o apoio e legitimidade recebidas às
>suas políticas, mais arrogante e perigosa se assumirá;
>a de ter decidido pela instabilidade da imensa maioria
>dos portugueses em nome e a favor da estabilidade de
>interesses de uns poucos; a de ter decidido por dar a
>mão á direita num momento em que, independentemente
>das motivações diversas que uniam um vasto campo
>democrático de forças e personalidades, ela se
>encontrava isolada e derrotada.
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