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Date Posted: 15:35:57 05/14/06 Sun
Author: Cleber Viana
Subject: Semana 10: O ensino significativo de gramática

Comecei a ensinar espanhol há nove anos, portanto já dentro da abordagem comunicativa. Nas escolas de idiomas onde trabalhei, nunca me foi permitido o ensino da gramática como um fim em si mesma (às vezes, nem sequer ensiná-la era permitido), mas confesso que, às vezes, era bastante difícil ensinar a “língua” sem ensinar a “gramática”. Além do radicalismo de alguns coordenadores pedagógicos e donos de escolas de idiomas, havia também, por parte de alguns alunos, uma certa cobrança do ensino de gramática explícita e de exercícios que a praticassem.
Concordo com os autores do texto desta semana quando dizem que é preciso ensinar a gramática de forma contextualizada para que esse aprendizado seja significativo para os alunos, já que esse é um dos pressupostos da abordagem comunicativa. No entanto, é necessário que o professor deixe claro aos alunos, constantemente, o que eles estão aprendendo, já que esse ensino contextualizado muitas vezes os deixa “perdidos”. Muitas vezes, ao final de uma aula, são capazes de dizer a atividade (dinâmica, jogo, etc.) que foi desenvolvida em sala, mas não o que aprenderam de fato.
Gostei especialmente dos seguintes pontos do texto:

• Quando os autores dizem que há alunos que são capazes de resolver com perfeição intermináveis listas de exercícios gramaticais, mas escrevem maus textos (e têm pouca fluência), e gostaria de relacioná-lo com outro ponto: os exercícios gramaticais costumam ser meras repetições sem sentido de uma mesma estrutura. Acho que esses dois pontos estão diretamente relacionados ao ensino significativo da língua (e da gramática). O ensino da gramática deve levar os alunos a praticarem as estruturas da língua, não aquelas descritas e prescritas nos manuais de gramática, mas sim as estruturas que realmente são usadas pelos falantes nativos. Às vezes, nós, professores, tendemos a ensinar apenas a “língua” dos manuais e nossos alunos, conseqüentemente, saem prontos para dialogarem com qualquer livro didático.
Defendo, inclusive, que devemos relevar e considerar “erros” de nossos alunos se sabemos que são produzidos por falantes nativos.
• Quando os autores dizem que os manuais de gramática são temporais, ou seja, suas regras descrevem a escrita de uma época e lugar determinados. Portanto a gramática ensinada deveria ser o mais universal possível, considerando o que há de comum entre as diversas variantes do idioma.
Sabe-se que a eleição de uma variante (e, conseqüentemente, de uma “gramática”) é guiada por fatores sociais e políticos. O desconhecimento de outras variantes, outros falares, faz com que, muitas vezes, alguns professores estigmatizem formas e corrijam desnecessariamente seus alunos.

Como tentei mostrar no início do texto, não sou contra o ensino da gramática em aulas de língua estrangeira. A gramática deve ter seu papel e sua importância durante as aulas. No entanto, acho que a escolha da gramática e a forma como será ensinada devem merecer especial atenção por parte dos professores.

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