Author:
revolucionário de sofá
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Date Posted: 13/12/04 21:30
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Correspondência com um jovem comunista (sobre A. Cunhal)" on 11/12/04 23:09
Eu bem avisei que o ANovo era um perigoso, digo mais, um perigosíssimo ultra-esquerdista, compagnon de route do bando dos quatro cavaleiros do apocalipse que armados da Política Operária pugnam pelo expurgo do marxismo-leninismo e pelo retorno ao puro marxismo como arma infalível para o derrube da besta capitalista! Não me ouviram, deram-lhe acolhida e troco ao paleio, agora, aguentem-se! Aturem as suas prédicas sobre a genuína revolução socialista e sobre a nulidade teórica do nosso Álvaro, ou sobre o reformismo burguês encapotado patente na justa linha da “revolução democrática e nacional”, que o nosso glorioso vem seguindo há longos anos com pequenas variantes, desde a fase do anti-fascismo patriótico da “unidade de todos os portugueses honrados” até à fase da defesa da economia nacional do “levantamento popular e militar”, que culminou com o golpe de estado de 25 de Abril (que a gente, para se consolar e catalogar a alegria, o desejo de participação e as naturais anarqueiradas de aprendizes de democratas que a malta foi cometendo, continua a designar por “revolução popular”).
E, porque o bicho é escritor prolixo e de personalidade multifacetada, de caminho aguentem também as tiradas do seu alter-ego JAguiar malhando no pseudo-socialismo dos ex-trotskas de vários matizes e dos ex-marxistas-leninistas-maoistas-enverhodjistas, defensores das justas aspirações da bicharada, dos ervaómanos e da malta bem vestida, bem pensante e bem intencionada que se indigna ainda mais do que a gente com a pujança que a besta capitalista revela ao estender os tentáculos por tudo quanto é sítio, bloqueados no grupo prá-frentex de tudo ao molho e fé em Deus que dá pelo nome de Bloco de Esquerda, como se a gente precisasse de discutir ou de se preocupar com o foguetório que aquela malta faz.
Para ajudar à festa, digiram as certezas, as dúvidas, as “nem uma coisa nem outra”, os “sim, mas”, os “isto por agora” e os “já dizia o” que escorrem melífluas da erudição do macacão engraçadinho rc/pcp/não sei o quê; depois, matutem nas loas ao nosso Vasco perturbado, angustiado com a incompreensão da aliança povo/MFA aos seus voluntariosos apelos revolucionários, imaginem o que serão os desenhos de fino recorte das etapas e dos programas intermédios, “uma das áreas mais importantes da condução política e dos compromissos”, e nos delírios sobre a necessidade “da retoma das negociações interrompidas ou falhadas naqueles meses que precederem o 25 de Novembro”, de que depende precisamente um “novo avanço revolucionário em Portugal” que pairarão na mente sempre bem iluminada do fidalgo rc/pcp não; juntem a argúcia do manganão do redondo rc sobre as incógnitas que ele antevê para o depois de amanhã, constatando que a malta “mesmo que conquistasse o poder não sabia o que fazer; não tem qualquer ideia de como organizar a produção em sociedade de forma mais eficiente que o capitalismo e de forma que naturalmente se auto-reproduza na prática de milhões de homens” , na medida em que o "descalabro da URSS ainda não foi resolvido; a inépcia, a preguiça ou o aturdimento têm impedido que se faça o trabalho de reconfigurar a utopia comunista” , e digam-me se isto, este dotecome, não é um antro de provocadores cujo objectivo último é lançar a confusão, para baralhar e instigar à dúvida nas certezas que a malta tem sobre a concretização mais do que certa da profecia do nosso Messias Barbas!
Numa altura em que se avolumam as tarefas do novo combate em que o glorioso vai estar envolvido, e numa fase em que a malta se afadiga a tentar convencer os camaradas alentejanos, paradões e duros como o raio, de que agora com o nosso camarada Jerónimo é outra loiça, digam-me se isto não cheira a manobra da reacção! Não basta o nosso endémico praticismo tarefista, que de há muito tem sido o pão nosso de cada dia da malta que se arrimou ao glorioso e nunca nos deu tempo para mais nada, e o tarefismo que há-de vir com os novos combates vindouros, e ainda vêm para aqui desafiar a malta para se pôr a pensar! Pensar! Pensar! Isso é bom para vocês, seus ramelosos intelectualóides, que não trabalham nove horas no duro todo o santo dia! Pensem, e depois digam ao que é que chegaram, que é para a gente vos desancar!
Viva o glorioso!
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