Author:
Fernando Penim Redondo
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Date Posted: 13/12/04 23:07
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Re: O dia depois de amanhã..." on 13/12/04 16:27
Caro Ângelo Novo,
Para já tomo apenas os seguintes parágrafos da sua resposta que me parecem fulcrais:
"Do meu ponto de vista, a realidade social e económica não evolui por si só, espontaneamente, e depois de vez em quando deita fora a sua "superestrutura" política e ideológica, como as cobras vão mudando de pele quando esta
envelhece. Isto é uma visão muito evolucionista da história, que deixa muito pouco lugar para a intervenção consciente nela.
Se isso fosse assim, então mais valia deixar andar, que os problemas haviam de resolver-se todos por si naturalmente. Confiemos na evolução das forças produtivas."
Vou tentar esclarecer o meu pensamento com uma analogia.
Todos sabemos que a àgua corre sempre de cima para baixo e que encontra sempre o melhor caminho para descer.
Constatar este facto não significa considerar a acção humana impossível ou irrelevante.
Na verdade se alguém construir uma vala conseguirá provavelmente "condicionar" a água a percorrer um determinado percurso e a chegar a um determinado ponto da plataforma inferior. O que não é possível é fazer uma vala por onde a água, em vez de descer, suba.
Na sociedade as coisas passam-se de forma parecida. As transformações tecnológicas, por exemplo, criam "desníveis" que acabarão por levar as relações de produção a transformar-se. Essa transformação, embora condicionada, não está absolutamente determinada à partida.
Fazer política é como cavar uma vala. É como impedir que a água escorra de qualquer maneira.
Não tenhamos dúvidas de que, mesmo sem actividade estritamente política, a sociedade continuaria a evoluir.
Infelizmente a política que actualmente se pratica à esquerda é de dois tipos:
- construir barreiras para impedir a inelutável deslocação da água
- lamentar que a força da gravidade funcione de cima para baixo
Quando o que era realmente importante era determinar a direcção e a profundidade da vala e depois pegar na pá e na picareta e construí-la.
Cada um de nós deve tentar contribuir para isso e eu sei que o Ângelo também faz o que pode.
Um abraço.
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