| Subject: Re: rendição ao grupo dos 9 |
Author:
Ângelo Novo
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Date Posted: 14/12/04 0:50
In reply to:
Macaco Velho
's message, "Re: rendição ao grupo dos 9" on 12/12/04 23:47
>Bom agora, diga-me lá como é que imagina que estaria
>hoje este jardim à beira-mar plantado.
>Como a Albania?... Ná, somos melhores.
>Como Cuba?... Ná, isto aqui não é uma ilha.
>Como o Chile?... Hummm, se calhar ainda andávamos a
>fazer com que o "Pinochet" cá do sítio fosse mesmo a
>julgamento. E, nesse caso, do cenário "chileno", como
>era com as Colónias?... Ainda eram?...
>Pois é. Teríamos aqui um interessante exercício de
>ficção histórica "à posteriori"... E gostava mesmo de
>saber a sua opinião.
>Mas não ligue. Isto são só umas macaquices.
E são umas macaquices bem pertinentes, sem dúvida.
Pessoalmente, com o que sei hoje sobre a forma como as coisas se passaram a nível mundial, acho que se tivéssemos feito a revolução socialista em Portugal em 1974-5, estaríamos hoje sensivelmente onde estamos. Na União Europeia, discretos, bem comportados, subsidiados para ir abatendo a frota pesqueira e abandonando os campos.
Não era uma revolução socialista falhada que nos ia fazer perder muito tempo no caminho que entretanto escolhemos. O nosso desenvolvimento económico já está a patinar há tanto tempo. Digamos que, com uma revolução socialista entre 1975-82 (não estou a ver como aguentaria mais tempo), estaríamos agora a chegar precisamente aonde estamos. Não era tragédia nenhuma.
Mas quando se faz uma revolução, nós não sabemos o que vem a seguir. Não sabemos se vamos mergulhar em cheio na corrente histórica universal, ou se vamos rapidamente ficar isolados e ser batidos.
Os anos 70 foram anos de alguma agitação revolucionária e, com o contributo de uma revolução portuguesa vitoriosa, podia ter-se criado uma outra dinâmica. Hoje isto parece-nos pouco crível, porque já vimos o filme todo e a tendência é acharmos que foi o que tinha de ser. Mas na altura, o leque de possibilidades era amplo e estava bem aberto. Imaginemos que a o franquismo caía também em Espanha com uma revolução, que em Itália os "anos de chumbo" davam lugar a uma primavera operária, que em França a chegada da esquerda ao poder com o programa comum desencadeava um dinâmica social poderosa, que, que e que.
Há sempre muitos mundos possíveis a partir daquele em que vivemos agora. Se não tivermos um pouco de iniciativa e ousadia, não chegaremos nunca onde desejamos. E se há sempre alguns custos humanos numa opção revolucionária, que aparecem logo com um grande destaque, também os há resultantes da inacção e da renúncia, embora estes porventura não sejam logo tão evidentes.
Ângelo Novo
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