Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 16/12/04 11:14
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Re: O 25 de Novembro e o compromisso com os 9" on 15/12/04 23:15
Sr. Ângelo Novo
“Mas o PCP já tinha saltado fora do combóio há muito tempo, nunca lá tendo aliás estado por gosto. O PCP de Álvaro Cunhal nunca quis uma revolução socialista e proletária em Portugal.”
“Só via revolução "democrática" e quando viu o proletariado a exigir o poder, nas ruas e nas fábricas, clamou contra o "esquerdismo", que isso era uma provocação, que só favorecia "a direita", etc..
Mas não o fez abertamente, não. Fê-lo à socapa, continuando porém às claras a jurar sempre fidelidade à classe operária e à Aliança Povo-MFA.
Não foi por uma questão de avaliação táctica, por "análise da situação concreta", que ele se decidiu contra a revolução socialista. Foi porque esta não cabia nos seus esquemas dogmáticos pré-concebidos, que vêm direitinhos, directamente da lavagem estalinista que ele desde sempre sugou avidamente e que ainda hoje chama de "marxismo-leninismo"”.
Ângelo Novo
Ao contrário do que o Sr. Ângelo Novo pensa tenho até alguma consideração por artigos anteriores seus e reconheço que, sobre algumas matérias, dispõe de bastante informação.
No entanto, nos comentários à carta referida, que finalmente percebemos o que é, e nas suas respostas posteriores, onde eu fui respigar as afirmações com que inicio esta prosa, são claramente, queira o Sr. ou não, de inspiração esquerdista, já que nos garantiu que não tinha idade para viver presencialmente aqueles acontecimentos.
Se o Sr. as foi buscar ao Xico Martins ou a outros, pouco interessa, deduzi que eram ao Xico dado ter publicado artigos na “Política Operária”. Por outro lado, não as leu com certeza nos clássicos do marxismo.
Mas se bem percebeu o que escrevi, a minha prosa não se referia unicamente às suas afirmações, que eu reputo de mal fundamentadas, mas igualmente a alguns dos seus opositores, que tomando o livro do Cunhal como verdade absoluta, se referem a ele sem nenhuma crítica. Coisa que eu bem ou mal tentei fazer.
Quanto às suas críticas ao meu equilíbrio emocional, à minha ociosidade e a ser “compagnon de route” da terceira-via neo-liberal socratiana deixo-as para quem as fez, reconheço que também o critiquei de forma acintosa, sem no entanto referir quaisquer aspectos da sua vida particular, contra a qual nada tenho. Contudo, não tenho dúvidas que estas suas referência ao PREC são de alguém que não as tendo vivido é por terceiros, e pelos vistos parcialmente, que dispõe de informação.
Apesar da sua resposta, não desisto, se para isso me deixar a minha ociosidade, de responder aos seus comentários à carta de um jovem comunista. Sabe, quem viveu o ascenso esquerdista do final dos anos 60, início de 70, e as batalhas ideológicas que aí se travaram, não aceita de bom grado que se venha retomar, nos mesmos termos, os disparates que então se disseram.
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