| Subject: Re: Estado de Bem Estar Social |
Author:
Rosa Redondo
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Date Posted: 24/11/04 15:31
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Estado de Bem Estar Social" on 15/11/04 23:29
Mais uma vez em resposta ao Jorge Nascimento! Até parece que de cada vez que entro no fórum é para “malhar” no Jorge, mas não é. Acontece é que ele é dos poucos que contribui para a discussão de ideias de uma forma interessante e que merece resposta! Ossos do ofício!
Então cá vai.
Dizes tu que:
“O ”Estado do Bem Estar Social” nunca foi uma medida querida dos Partidos Comunistas, e mereceu no Maio de 68 a mais severa crítica, pois dizia-se que todas as medias para a protecção dos trabalhadores visavam a sua plena integração no sistema, e dificultavam a sua luta revolucionária”.
Pois a minha interpretação é de que isso... já era! Quando muito poderá manter-se apenas a nível teórico, e mesmo assim, não no PCP. Ora no nosso documento, nós estamos a tratar em primeiro lugar do PCP e da sociedade portuguesa.
E quando escrevemos essa frase que citaste: “Fica subjacente uma certa nostalgia da época áurea do Capitalismo, em que as empresas eram grandes e prósperas e empregavam muitos trabalhadores; e os proveitos eram suficientes para permitir a cedência às exigências dos sindicatos (que eram grandes e fortes e travavam lutas vitoriosas); e o Estado Providência parecia estabelecido de pedra e cal” , estamos exactamente a referir-nos ao facto de, aos poucos, os esforços do PCP e das estruturas sindicais e sociais por ele influenciadas, se terem desviado dos objectivos a atingir para a luta como um fim em si mesmo. A nostalgia de que falamos não é exactamente a do “Estado do Bem Estar Social” como alternativa ao Capitalismo!!!! É sim a de um cenário político-económico em que um Capitalismo próspero se pôde dar ao luxo de tentar comprar a paz social e em que era possível liderar com êxito sucessivas “abanadelas” ao que parecia ser a “árvore das patacas” que os capitalistas queriam guardar só para eles.
O resultado foi criar nos trabalhadores um cenário mental enformado por um lado pelo Estado Providência, buraco negro de recursos inesgotáveis com a obrigação de tudo providenciar aos seus filhos, e por outro pelos Capitalistas inevitàvelmente ricos e com a obrigação de sustentar ad aeternum um emprego confortável.
Sobre este “background” emotivo-ideológico, necessariamente confuso, se alicerça a maior parte das decisões supostamente racionais que vemos tomar, a nível politico entre outros.
Lamentarás, amigo, que eu esteja a usar palavras de tanta dureza, eu que também embarquei alegremente neste barco; mas acredita que não o lamentas mais do que eu.
Em referência à tua afirmação de que:
“a defesa do Serviço Nacional de Saúde, do Sistema Público de Ensino, do Sector Empresarial do Estado é hoje um dever da esquerda, porque o seu questionamento pela direita não tem a ver se ele está bem ou mal gerido, mas o seu objectivo é o seu desmantelamento e a entrega ao sector privado”,
eu acho que o que nos deve mover em relação ao Sector Publico, não é aquilo que a direita pretende fazer com ele mas sim o modo como nós queremos que sejam assegurados aos cidadãos os serviços essenciais, que são responsabilidade do Estado. Ou seja, não me incomoda nada que a direita afirme razões idênticas às minhas, com objectivos diferentes. Creio que também por isso, a esquerda devia ser o principal paladino da exigência “ pelo correcto estabelecimento e controle de normas de funcionamento, tendo sempre como princípio que o objectivo é servir a população e não os grupos, profissionais ou outros, envolvidos na prestação” e acrescento para que não haja duvidas: SEJAM ELES PUBLICOS OU PRIVADOS.
Para terminar por agora, e em referência a quando dizes:
“o capitalismo desenvolve a partir dos anos 70 e 80, com Reagan e Tatcher e depois com o desaparecimento da URSS uma ofensiva contra o Estado do Bem Estar Social, e procede à tentativa do seu desmantelamento. De que a última acção é a que está a ser empreendida na Alemanha, com a resistência clara dos trabalhadores...”;
deixa-me recordar-te o quanto surpreendeu muita gente ver a poderosíssima IG METALL, aceitar recentemente, para manter os postos de trabalho primeiro na SIEMENS depois noutras empresas, congelar os salários, aumentar os horários, etc. etc. Resistência?
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