| Subject: Re: . Que NORMALIDADE? |
Author:
Luis BLANCH
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Date Posted: 6/12/04 15:09
In reply to:
VASCO PULIDO VALENTE (Publico)
's message, "A "Normalidade" Não Volta" on 3/12/04 13:47
O " Vasquinho " tem um percurso interessante; ele é inteligente,percepciona bem as coisas mas , depois ,fez as opções que mais LHE interessam ,mesmo contra o seu passado familiar, confirmando a sua verve de presunçoso, e vai de desancar a esquerda ,caminhando por veredas que só ele conhece.
Não se queda por aí e , no seu deambular, anuncia a recuperação daquilo que hoje, política e socialmente está em curso: o desmantelamento das conquistas sociais , a privatização dos serviços públicos ,a precarização do emprego, o debilitamento das pressões sindicais...
O "regresso" à Normalidade não é mais do que a confirmação e o reforço desta política, política que se " deverá inscrever na cartilha da snrª Thatcher".
Para V.P.V. O Santanismo falhou claramente por incompetência mas , e sobretudo ,porque deveria ser mais actual e expedito aplicando melhor as receitas da "dama de ferro".
Para Vasco ,o presságio é até o regresso de um autoritarismo puro e duro, porque duvida que consigamos saír do atoleiro... Ele está ,de facto, perdido no nevoeiro que imaginou e anda às apalpadelas.
>No meio da balbúrdia desta semana, vi uma coisa que
>nunca julguei ver. Vi (e ouvi) o presidente da CIP,
>Francisco Vanzeller, chamar ao presidente do PSD,
>Santana Lopes, "volátil, inseguro" e, sobretudo,
>infiável.
>
>Não que isso fosse absolutamente inesperado. Já corria
>que a decisão de Sampaio fora influenciada por gente
>"determinante" nos "negócios, para não falar num
>extraordinário número do "Jornal de Economia". Pior
>ainda: de João Salgueiro a Ferraz da Costa não notei a
>mais leve tristeza ou preocupação com a desamparada
>queda de Santana.
>
>Só que Francisco Vanzeller, com a sua paciência e a
>sua calma, fechou o caso. E o caso é este: aquilo que
>dantes se descrevia com a palavra "capital" e hoje com
>a palavra "interesses", ou com qualquer outro
>eufemismo "respeitável", desistiu da direita em geral
>e do PSD em particular para promover os seus
>propósitos políticos. Digamos que o Dinheiro (com
>maiúscula), o dinheiro "sério", se convenceu de uma
>vez para sempre que não ia a parte alguma com um bando
>de miúdos de irresponsabilidade comprovada e de uma
>evidente insensatez. Barroso fugiu, Santana aluiu e o
>resto vale pouco ou nada.
>
>Sucede que, para sair da estagnação e da miséria,
>Portugal precisa o mesmo do que precisa a "Europa"
>inteira: das reformas da sra. Thatcher. Do que
>Schroeder tenta fazer na Alemanha, do que Berlusconi
>tenta fazer em Itália, do que (em parte) Aznar e até o
>PSOE fizeram em Espanha e do que Sarkosy promete para
>França. O "modelo europeu" acabou e o défice, que se
>generaliza, não passa de um sintoma.
>
>Ora a Direita portuguesa (o PSD e o PP) mostrou a sua
>absoluta incapacidade para pensar e conduzir, com um
>módico de método e um mínimo de conflito, a
>reorganização do Estado e da economia. Os "negócios"
>podem não ter ainda uma solução política para os seus
>sarilhos, mas sabem agora que ela não é o PP e o PSD.
>Talvez seja Cavaco, talvez seja Sócrates, não seja
>Cavaco e Sócrates.
>
>Não será com certeza a Direita que por aí anda, que
>provou cabalmente a sua esterilidade e fraqueza. O
>despedimento de Santana não foi um incidente de
>percurso. Foi o fim de uma história e o anúncio de um
>terramoto no regime. Não vamos voltar à "normalidade".
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