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revolucionário de sofá
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Date Posted: 23/11/04 19:13
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Re: Para que serve um P.C. !?" on 23/11/04 19:00
Eu não disse que o gajo era um esquerdista de falinhas mansas?
A gente fala em revolução, fala, fala, mas não sabe o que isso é, apenas nos referimos a isso como um modo de falar, porque já estamos habituados; sim, ou, então, como o Fidalgo, julgamos que é a nacionalização das empresas e a criação dum novo modo de produção estatal. Mas o gajo ANovo e o grupo do Chico Martins (o outro grande teórico, além do Álvaro, claro) têm da revolução a concepção insurreccional clássica, expurgada dos arcaísmos: em vez do palácio de inverno (ainda para mais cá não temos palácios de Inverno, que isto é sempre Verão), ocupamos as fábricas, os aquedutos das águas, as refinarias, os autocarros e o metro e os shoppings centers (e tomamos uns shops enquanto a coisa não aquece) e varremos a escumalha burguesa toda (nem lhes damos a oportunidade de fugir para Espanha ou para o Brasil; como damos a independência às Ilhas, deixamo-los fugir para a Madeira, que lá ficam bem).
Já não é a versão Chico Martins do romantismo guevarista (guerrilha na Serra d'Aires para derrube do fascismo salazarista), em contra-ponto com a versão do levantamento nacional do nosso Álvaro, é um radicalismo ainda mais provocador e aventureirista, que vê nas massas esclarecidas que protestam contra a globalização os soldados que engrossarão os exércitos informais do proletariado para a tomada do poder; que não vê que há muitos pequenos e médios empresários, alguns antigos operários que foram singrando na vida e continuam membros do nosso partido (e, portanto, são nossos camaradas também), que fazem falta à revolução (e digo até mais: são mais revolucionários que os operários, porque estão acirradamente contra o capital monopolista que engole tudo, enquanto os operários se estão nas tintas para a fracção do capital que os explora); que não vê que a burguesia não monopolista está contra a abertura dos mercados e a concorrência que vem lá de fora, e que portanto vacilará com a nossa cantilena nacionalista e apenas deve ser neutralizada; e que julga que os emigrantes, os mais explorados de todos, constituirão a linha da frente do exército proletário (aqui, também nós assim pensamos, mas isso é porque o nosso internacionalismo de classe nos obriga a condoermo-nos dos desgraçados que na Ukrania passam mal, qual caridade cristã, e lhes damos a bênção para virem para cá).
Como vêem, camaradas (camaradas é para o pessoal do partido, não é para vocês, rotos social-democratas da RC), este novo apóstolo disfarçado de poeta e entretido com as ficções científicas sociais é perigoso, porque aventureirista. E a corrente a que ele pertence é mais perigosa do que a dos queques trotskistas que já mamam das benesses do poder burguês e que só fazem flores; a sua corrente mina a nossa malta nas fábricas e nos hiper-mercados, e é preciso atenção quando passarem de meia dúzia de gatos-pingados.
Mas faz-nos falta, porque é a única que ainda fala em marxismo-leninismo, além de nós. Para que nos credibilizemos, é bom ter uma oposição marxista-leninista, já que estes bandalhos da RC não se assumem, e de comunistas marxistas-leninistas só têm o rótulo. Nós estamos cada vez mais fortalecidos, porque fiéis ao marxismo-leninismo (forma disfarçada de nos mantermos fiéis ao Zé dos Bigodes, que foi quem inventou isto do marxismo-leninismo), e agora com um sg operário já eleito antes de o ser ainda saímos reforçados; agora, então, é que os calamos: partido da classe operária e dirigido por um operário, digam lá que não é coerência.
Se fosse o Carvalho da Silva, também ele operário e, ainda por cima, doutor, a coisa também não seria má (e digam lá que estamos em crise, quando ainda temos candidatos operários de sobra). Mas o gajo nalgumas entra mudo e sai calado, ou então põe-se com aquelas prosápias sociológicas (que devem esconder tendência para a concertação social), e o melhor foi não arriscar. O Jerónimo é outra loiça, sem papas na língua e com uma cultura de classe ainda aproveitável (ainda que algumas vezes não perceba o que está dizendo), e com ele estes cabrões da RC é que vão ver como é: neutraliza-os todos pela direita.
Camaradas, mantenhamo-nos firmes: com o Edgar à nossa direita (arrependido e ainda por cima calado e sem paleio) e com o ANovo e o Chico Martins à nossa esquerda; e com o Jerónimo ao leme (e a ajuda do Álvaro, quando for necessário para deslindar as questões tácticas mais complicadas), vão ver que o consulado do delfim beirão que não comprovou a confiança que nele depositamos será facilmente esquecido e o nosso partido fortalecerá a sua representatividade social e voltará aos seus tempos áureos, para nos conduzir à glória.
Viva a Revolução Proletária!
Viva o Internacionalismo Proletário!
Viva o Marxismo-Leninismo!
Viva o Comunismo!
Viva o nosso glorioso Álvaro!
E viva o enterro, perdão, o eterno PCP!!!
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