| Subject: Re: Para que serve um P.C. !? |
Author:
Ângelo Novo
|
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
Date Posted: 23/11/04 20:37
In reply to:
revolucionário de sofá
's message, "Re: Para que serve um P.C. !?" on 23/11/04 19:13
Mas este revolucionário de sofá é absolutamente genial!
Genial, digo bem.
A sério, você tem que escrever uma novela política.
Abraço,
Ângelo Novo
>Eu não disse que o gajo era um esquerdista de falinhas
>mansas?
>
>A gente fala em revolução, fala, fala, mas não sabe o
>que isso é, apenas nos referimos a isso como um modo
>de falar, porque já estamos habituados; sim, ou,
>então, como o Fidalgo, julgamos que é a nacionalização
>das empresas e a criação dum novo modo de produção
>estatal. Mas o gajo ANovo e o grupo do Chico Martins
>(o outro grande teórico, além do Álvaro, claro) têm da
>revolução a concepção insurreccional clássica,
>expurgada dos arcaísmos: em vez do palácio de inverno
>(ainda para mais cá não temos palácios de Inverno, que
>isto é sempre Verão), ocupamos as fábricas, os
>aquedutos das águas, as refinarias, os autocarros e o
>metro e os shoppings centers (e tomamos uns shops
>enquanto a coisa não aquece) e varremos a escumalha
>burguesa toda (nem lhes damos a oportunidade de fugir
>para Espanha ou para o Brasil; como damos a
>independência às Ilhas, deixamo-los fugir para a
>Madeira, que lá ficam bem).
>
>Já não é a versão Chico Martins do romantismo
>guevarista (guerrilha na Serra d'Aires para derrube do
>fascismo salazarista), em contra-ponto com a versão do
>levantamento nacional do nosso Álvaro, é um
>radicalismo ainda mais provocador e aventureirista,
>que vê nas massas esclarecidas que protestam contra a
>globalização os soldados que engrossarão os exércitos
>informais do proletariado para a tomada do poder; que
>não vê que há muitos pequenos e médios empresários,
>alguns antigos operários que foram singrando na vida e
>continuam membros do nosso partido (e, portanto, são
>nossos camaradas também), que fazem falta à revolução
>(e digo até mais: são mais revolucionários que os
>operários, porque estão acirradamente contra o capital
>monopolista que engole tudo, enquanto os operários se
>estão nas tintas para a fracção do capital que os
>explora); que não vê que a burguesia não monopolista
>está contra a abertura dos mercados e a concorrência
>que vem lá de fora, e que portanto vacilará com a
>nossa cantilena nacionalista e apenas deve ser
>neutralizada; e que julga que os emigrantes, os mais
>explorados de todos, constituirão a linha da frente do
>exército proletário (aqui, também nós assim pensamos,
>mas isso é porque o nosso internacionalismo de classe
>nos obriga a condoermo-nos dos desgraçados que na
>Ukrania passam mal, qual caridade cristã, e lhes damos
>a bênção para virem para cá).
>
>Como vêem, camaradas (camaradas é para o pessoal do
>partido, não é para vocês, rotos social-democratas da
>RC), este novo apóstolo disfarçado de poeta e
>entretido com as ficções científicas sociais é
>perigoso, porque aventureirista. E a corrente a que
>ele pertence é mais perigosa do que a dos queques
>trotskistas que já mamam das benesses do poder burguês
>e que só fazem flores; a sua corrente mina a nossa
>malta nas fábricas e nos hiper-mercados, e é preciso
>atenção quando passarem de meia dúzia de
>gatos-pingados.
>
>Mas faz-nos falta, porque é a única que ainda fala em
>marxismo-leninismo, além de nós. Para que nos
>credibilizemos, é bom ter uma oposição
>marxista-leninista, já que estes bandalhos da RC não
>se assumem, e de comunistas marxistas-leninistas só
>têm o rótulo. Nós estamos cada vez mais fortalecidos,
>porque fiéis ao marxismo-leninismo (forma disfarçada
>de nos mantermos fiéis ao Zé dos Bigodes, que foi quem
>inventou isto do marxismo-leninismo), e agora com um
>sg operário já eleito antes de o ser ainda saímos
>reforçados; agora, então, é que os calamos: partido da
>classe operária e dirigido por um operário, digam lá
>que não é coerência.
>
>Se fosse o Carvalho da Silva, também ele operário e,
>ainda por cima, doutor, a coisa também não seria má (e
>digam lá que estamos em crise, quando ainda temos
>candidatos operários de sobra). Mas o gajo nalgumas
>entra mudo e sai calado, ou então põe-se com aquelas
>prosápias sociológicas (que devem esconder tendência
>para a concertação social), e o melhor foi não
>arriscar. O Jerónimo é outra loiça, sem papas na
>língua e com uma cultura de classe ainda aproveitável
>(ainda que algumas vezes não perceba o que está
>dizendo), e com ele estes cabrões da RC é que vão ver
>como é: neutraliza-os todos pela direita.
>
>Camaradas, mantenhamo-nos firmes: com o Edgar à nossa
>direita (arrependido e ainda por cima calado e sem
>paleio) e com o ANovo e o Chico Martins à nossa
>esquerda; e com o Jerónimo ao leme (e a ajuda do
>Álvaro, quando for necessário para deslindar as
>questões tácticas mais complicadas), vão ver que o
>consulado do delfim beirão que não comprovou a
>confiança que nele depositamos será facilmente
>esquecido e o nosso partido fortalecerá a sua
>representatividade social e voltará aos seus tempos
>áureos, para nos conduzir à glória.
>
>Viva a Revolução Proletária!
>Viva o Internacionalismo Proletário!
>Viva o Marxismo-Leninismo!
>Viva o Comunismo!
>Viva o nosso glorioso Álvaro!
>E viva o enterro, perdão, o eterno PCP!!!
[
Next Thread |
Previous Thread |
Next Message |
Previous Message
]
| |