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revolucionário de sofá
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Date Posted: 25/11/04 17:34
In reply to:
São José Almeida (Publico)
's message, "PCP Divorciado de Uma Sociedade Individualizada e Globalizada" on 25/11/04 14:27
Quer dizer, o comunismo morreu (antes mesmo de chegar a nascer, porque o que nascera, dizem, fora o socialismo) e por causa disso nós, o nosso partido, o glorioso PCP tem de morrer também? Só porque tem comunista no nome? Era só o que faltava!
Está escrito na profecia marxista, a mais actual de quantas já foram inventadas, que o comunismo é o futuro da humanidade, é o regime que há-de suceder ao capitalismo, ou, no que é a versão mais correcta, que a sociedade sem classes há-de suceder à sociedade burguesa (a sociedade dos cabrões que inventaram esta merda do lucro e puseram isto tudo a andar a duzentos à hora), e que essa sociedade somos nós, os proletários, que não temos onde cair mortos, que a há-de implantar, dando assim um fim feliz à história! Se está escrito, não há que duvidar!
Por muitas voltas que esta merda dê, por mais guerras preventivas, por mais guerras reparativas (as duas fases da manutenção: a prevenção e a reparação), esta puta desta sociedade tem de ser destruída, antes que destrua o planeta (onde é que eu já ouvi isto?). Por este andar, a esta velocidade, isto é destruído antes do tempo programado, e só nós, os comunistas, podemos impedir semelhante catástrofe, salvar-nos e connosco a humanidade!
Não me venham com merdas! Andar a 50 à hora é muito mais seguro do que a 200, está muito mais adaptado à velocidade dos nossos reflexos e à velocidade de renovação dos recursos naturais, é muito mais natural. Mas há muitas coisas boas (as gajas a fazerem o mesmo que os gajos, e a terem os mesmos direitos, a foderem sem emprenharem, quase toda a gente a ter casa própria, a vestir do bom e do melhor, a ter telélé da última moda, a saber ler, escrever e contar, a escolher quem há-de mandar) que não são naturais e que foram estes gajos que inventaram? Pois, e então, qual é a dúvida? No comunismo a gente também fará isso, ainda que a outro ritmo, mais lento, mais de acordo com os ritmos do ecossistema! Não sei é se o desenvolvimento das forças produtivas não aumentará o ritmo. Se assim for, atrasamos o ritmo do desenvolvimento das forças produtivas. Não sei, depois se vê.
Porquê que não fizemos antes? Lá estão vocês, sempre a desconversar! Não fizemos porque não tivemos tempo e porque tínhamos outras prioridades: tapar a barriguinha de misérias, enfrentar o nazi-fascismo, reparar as maluqueiras do Zé dos Bigodes e do Zé Dong, e porque o nosso ritmo era outro (aliás, como irá ser, um ritmo mais adaptado ao ecossistema). Mas todos tínhamos emprego para o resto da vida, tínhamos casa do estado (colectiva ou individual, mas não interessa, tínhamos onde descansar os ossos), tínhamos carro (ou bicicleta) depois de chegar à nossa vez (eram Fiats modificados e já com uns anos, ou Trabants com motor a dois tempos, mas tínhamos) e tínhamos o estado que pensava por nós e resolvia tudo da melhor forma. Não precisávamos da padralhada para nada, nem dos partidos (a não ser o nosso), nem desta merda da democracia dum gajo andar a escolher sem perceber nada, e já sabíamos que a seguir a um dia vinha o outro, sempre igual, sem sobressaltos, tal como o Sol nasce todos os dias no mesmo sítio do horizonte. E isto é que é natural!
E aqui, em Portugal, o ritmo também está a crescer. Embora a malta viva cada vez menos mal e se esteja nas tintas para o comunismo, quando o capitalismo não der mais empregos, as falências aumentarem e o dinheirinho no bolso se acabar, a gente logo vê para quem é que eles se voltam. Isto tem ciclos: foi a miséria dos tempos do Salazar, veio depois o tempo da recuperação, com a coisa a animar um pouco mais, com a Europa e o Cavaco passaram a ter quase todos carro à porta (e a gente a gritar “a luta continua, o Cavaco para a rua” e a malta não nos ligava!), mas agora, que a teta da Europa dá menos leite e os negócios vão um bocado parados, a coisa vai aquecer. Então é que esta malta nos vai dar ouvidos e dizer: bem diziam os comunistas, que isto ia de mal a pior! E vai! Esta merda vai sempre para pior! Mesmo que pareça que não vai, vai! A gente é que tem a profecia e a descrição das desgraças. Está tudo descrito. E o futuro sabemo-lo melhor do o falecido Zndinga ou do que a vidente Maya.
Portanto, desenganem-se, meninos! Parecemos mortos-vivos, mas estamos mais vivos do que mortos. E não vamos desaparecer assim do pé para a mão. Temos passado, como nenhum outro partido, temos património (e a Atalaia e o Vitória são ainda um rico património, que dará para aguentar as despesas em tempo de vacas magras), e temos futuro (porque enquanto houver reformados e pessoal da função pública, não descemos abaixo dos dez mil). E não se preocupem que não iremos ser o futuro dos que já não têm futuro. As novas gerações são a nossa melhor aposta. Eles serão a alma nova deste velho partido.
E não vale apenas estarem com merdas. Não estamos a aguentar isto só enquanto o dono, perdão, o Álvaro não morre. Mesmo depois dessa triste fatalidade, o nosso partido continuará o detentor da verdade e do conhecimento certo, o portador do futuro radioso ainda por acontecer. Onde é que há melhor? Não há! Por isso, ainda que o futuro próximo seja negro, a vitória é certa!
A vitória é certa!
A vitória é certa!
A vitória é certa!
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