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Subject: Divinal este revolucionário de sofE


Author:
João Laveiras
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Date Posted: 25/11/04 18:23
In reply to: revolucionário de sofá 's message, "Re: PCP Divorciado de Uma Sociedade Individualizada e Globalizada" on 25/11/04 17:34

Humor, ironia, uma certa acidez e desencanto, este revolucionário Eaqui um "must".
Volta sempre que és bem vindo.


>Quer dizer, o comunismo morreu (antes mesmo de chegar
>a nascer, porque o que nascera, dizem, fora o
>socialismo) e por causa disso nós, o nosso partido, o
>glorioso PCP tem de morrer também? SEporque tem
>comunista no nome? Era sEo que faltava!
>
>EstEescrito na profecia marxista, a mais actual de
>quantas jEforam inventadas, que o comunismo Eo
>futuro da humanidade, Eo regime que hEde suceder ao
>capitalismo, ou, no que Ea versão mais correcta, que
>a sociedade sem classes hEde suceder Esociedade
>burguesa (a sociedade dos cabrões que inventaram esta
>merda do lucro e puseram isto tudo a andar a duzentos
>Ehora), e que essa sociedade somos nós, os
>proletários, que não temos onde cair mortos, que a
>hEde implantar, dando assim um fim feliz Ehistória!
>Se estEescrito, não hEque duvidar!
>
>Por muitas voltas que esta merda dE por mais guerras
>preventivas, por mais guerras reparativas (as duas
>fases da manutenção: a prevenção e a reparação), esta
>puta desta sociedade tem de ser destruúa, antes que
>destrua o planeta (onde Eque eu jEouvi isto?). Por
>este andar, a esta velocidade, isto Edestruúo antes
>do tempo programado, e sEnós, os comunistas, podemos
>impedir semelhante catástrofe, salvar-nos e connosco a
>humanidade!
>
>Não me venham com merdas! Andar a 50 Ehora Emuito
>mais seguro do que a 200, estEmuito mais adaptado E
>velocidade dos nossos reflexos e Evelocidade de
>renovação dos recursos naturais, Emuito mais natural.
>Mas hEmuitas coisas boas (as gajas a fazerem o mesmo
>que os gajos, e a terem os mesmos direitos, a foderem
>sem emprenharem, quase toda a gente a ter casa
>própria, a vestir do bom e do melhor, a ter telélEda
>última moda, a saber ler, escrever e contar, a
>escolher quem hEde mandar) que não são naturais e que
>foram estes gajos que inventaram? Pois, e então, qual
>Ea dúvida? No comunismo a gente também farEisso,
>ainda que a outro ritmo, mais lento, mais de acordo
>com os ritmos do ecossistema! Não sei Ese o
>desenvolvimento das forças produtivas não aumentarEo
>ritmo. Se assim for, atrasamos o ritmo do
>desenvolvimento das forças produtivas. Não sei, depois
>se vE
>
>PorquEque não fizemos antes? LEestão vocês, sempre a
>desconversar! Não fizemos porque não tivemos tempo e
>porque tú‹hamos outras prioridades: tapar a
>barriguinha de misérias, enfrentar o nazi-fascismo,
>reparar as maluqueiras do ZEdos Bigodes e do ZEDong,
>e porque o nosso ritmo era outro (aliás, como irEser,
>um ritmo mais adaptado ao ecossistema). Mas todos
>tú‹hamos emprego para o resto da vida, tú‹hamos casa
>do estado (colectiva ou individual, mas não interessa,
>tú‹hamos onde descansar os ossos), tú‹hamos carro (ou
>bicicleta) depois de chegar Enossa vez (eram Fiats
>modificados e jEcom uns anos, ou Trabants com motor a
>dois tempos, mas tú‹hamos) e tú‹hamos o estado que
>pensava por nós e resolvia tudo da melhor forma. Não
>precisávamos da padralhada para nada, nem dos partidos
>(a não ser o nosso), nem desta merda da democracia dum
>gajo andar a escolher sem perceber nada, e jEsabú}mos
>que a seguir a um dia vinha o outro, sempre igual, sem
>sobressaltos, tal como o Sol nasce todos os dias no
>mesmo sú‘io do horizonte. E isto Eque Enatural!
>
>E aqui, em Portugal, o ritmo também estEa crescer.
>Embora a malta viva cada vez menos mal e se esteja nas
>tintas para o comunismo, quando o capitalismo não der
>mais empregos, as falências aumentarem e o dinheirinho
>no bolso se acabar, a gente logo vEpara quem Eque
>eles se voltam. Isto tem ciclos: foi a miséria dos
>tempos do Salazar, veio depois o tempo da recuperação,
>com a coisa a animar um pouco mais, com a Europa e o
>Cavaco passaram a ter quase todos carro Eporta (e a
>gente a gritar “a luta continua, o Cavaco para a ruaE
>e a malta não nos ligava!), mas agora, que a teta da
>Europa dEmenos leite e os negócios vão um bocado
>parados, a coisa vai aquecer. Então Eque esta malta
>nos vai dar ouvidos e dizer: bem diziam os comunistas,
>que isto ia de mal a pior! E vai! Esta merda vai
>sempre para pior! Mesmo que pareça que não vai, vai! A
>gente Eque tem a profecia e a descrição das
>desgraças. EstEtudo descrito. E o futuro sabemo-lo
>melhor do o falecido Zndinga ou do que a vidente Maya.
>
>Portanto, desenganem-se, meninos! Parecemos
>mortos-vivos, mas estamos mais vivos do que mortos. E
>não vamos desaparecer assim do pEpara a mão. Temos
>passado, como nenhum outro partido, temos património
>(e a Atalaia e o Vitória são ainda um rico património,
>que darEpara aguentar as despesas em tempo de vacas
>magras), e temos futuro (porque enquanto houver
>reformados e pessoal da função pública, não descemos
>abaixo dos dez mil). E não se preocupem que não iremos
>ser o futuro dos que jEnão têm futuro. As novas
>gerações são a nossa melhor aposta. Eles serão a alma
>nova deste velho partido.
>
>E não vale apenas estarem com merdas. Não estamos a
>aguentar isto sEenquanto o dono, perdão, o Álvaro não
>morre. Mesmo depois dessa triste fatalidade, o nosso
>partido continuarEo detentor da verdade e do
>conhecimento certo, o portador do futuro radioso ainda
>por acontecer. Onde Eque hEmelhor? Não hE Por isso,
>ainda que o futuro próximo seja negro, a vitória E
>certa!
>
>A vitória Ecerta!
>A vitória Ecerta!
>A vitória Ecerta!

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