| Subject: Re: O QUE SALVA A América? |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 5/11/04 16:10
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Re: O QUE SALVOU BUSH ( E SANTANA ?)" on 5/11/04 12:29
Para lá de todos os ditirambos anti-americanos que largos sectores da ignorância pública esperneia, é bom que se diga ,pedagógicamente ,que os USA pela sua génese histórica ,pela multiplicidade das suas etnias , confluència de variadas culturas e dinâmica dos seus conflitos de classe é uma nação que possui um lastro democrático incontornável.
Como diria o Ruben de Carvalho, indesmentível conhecedor da realidade profunda americana, na própria formação e desenvolvimento daquilo que se chama a música americana, com as suas diferentes expressões , perpassa essa multicromática realidade social ,política e económica que é a dialéctica histórica dos povos da América do Norte.
São os negros de Àfrica e a sua força de trabalho escravo, são os espoliados e perseguidos da Velha Europa em busca da Terra Prometida,são o remanescente dos quasi genocidados índios ,são todos eles ,toda essa massa de sub-proletários e excluídos a constituirem o que é hoje os USA.
E é neste país sem raizes nobiliárquicas que o capitalismo assentou arraiais forjando, na base de princípios assentes no darwinismo social da competitividade e da prevalência dos mais fortes, uma sociedade que mergulha nas suas raizes sociais ,culturais,religiosas e em que a osmose social, a ascenção social , é feita na base do individualismo e na descrença do papel de um Estado providência.Ao mesmo tempo é a Nação onde se desenvolveram as maiores lutas operárias de que há memória e que deixam marcas profundas na elevada consciencia social e reivindicativa nos sectores populares norte-americanos.
Um juizo da América do Norte e das suas forças dominantes - o Complexo Militar e Industrial - é indissociável das suas muito particulares raizes históricas ,sob pena de se caír no simplismo das análises e nas analogias despropositadas...
Um juizo da América do Norte e das sua forças dominantes - o complexo militar e industrial - são indissociáveis das suas particulares raizes históricas, não consentindo análises simplistas e feitas de analogias com outras realidades...
>textos sem se nomear a sua origem. Este, pelos vistos,
>é uma transcrição, visto que alguns troços do texto
>foram substituídos por três pontos.
>Estas analogias parecendo muito engraçadas não passam
>de cortes da realidade, que nada têm a ver com a
>mesma. Sobre futebol não percebo nada e não sei se o
>senhor Duque tem razão ou não. Em relação ao Bush,
>parece-me claramente uma interpretação errada. Os
>americanos não ligam nenhuma à opinião pública
>internacional. Mais, ficam completamente aparvalhados
>quando se apercebem de que o mundo não gosta da sua
>política externa. Mais ainda, têm uma olímpica
>ignorância pelo resto do mundo. Portanto, não foi de
>certeza o que se pensa fora da América, completamente
>ignorada no seu interior, que motivou os americanos a
>darem a vitória a Bush.
>Hoje, o Miguel Sousa Tavares, no Público, faz, mais
>uma vez, uma análise bastante interessante sobre o que
>foi a evolução da América liberal para a dos “valores
>morais”. Podendo não estar de acordo completamente com
>ele, pois a América que ele considerava liberal já
>tinha produzido esse fenómeno, que os nossos impolutos
>comentaristas (Pacheco Pereira e outros) ignoram
>completamente, que foi o maccarthismo, do tempo da
>“caça às bruxas”, ou seja, da caça aos “comunistas” e
>do assassinato legal do casal Rosemberg.
>No entanto, no texto do Miguel Sousa Tavares a
>descrição do que é esta “maioria moral” que se está a
>formar na América e que tanto faz babar de gozo os
>nossos propagandistas do neoconservadorismo (o mesmo,
>mais o José Carlos Espada), é um fenómeno bem real,
>que faz lembrar um outro fenómeno, que foi igualmente
>assustador, a de que os nazistas também detinham a
>maioria dos votos na sociedade alemã.
>Aqui, é que uma esquerda sempre optimista, se engana.
>O povo americano não é bom por natureza e não anda
>enganado pelos capitalistas e imperialistas,
>encabeçados por Bush. Esta grande América que se
>estende por todo o interior (é interessante ver o
>mapa, igualmente publicado no Público, dos resultados
>eleitorais por Estados) é portadora desse terrível
>projecto político que mistura a religião com a
>política e que se traduz num fundamentalismo tão
>perigoso como o dos piores radicais muçulmanos. É
>evidente que tudo isto tem uma origem histórica,
>sociológica e se quiserem económica, mas não nos
>deixemos iludir por essa fraseologia tão típica da
>esquerda de o povo anda iludido pelos seus governantes
>ou pela sua classe dirigente, se se preferir.
>Quanto ao Santana Lopes a situação é completamente
>diferente, nada leva a pensar que o povo português,
>contra a opinião de alguma da sua elite intelectual,
>vai em massa preferir Santana. É evidente que a
>procissão ainda vai no adro e não podemos cantar
>vitória, e que vitória cantaríamos?, mas a as recentes
>eleições nos Açores e até em parte na Madeira,
>prefiguram um claro esvaziamento eleitoral da dupla
>Santana-Portas.
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