Author:
O Inimigo Público
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Date Posted: 18/10/04 18:41
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "Canonizemos São Marcelo" on 8/10/04 20:51
Nos tempos que já lá vão, Marcelo era considerado o diabo em figura de gente.
Quando foi presidente do PSD e candidato primeiro-ministro, levou tareia «de criar bicho» e foi insultado com todos os nomes:
intriguista, trapalhão, mentiroso, falsificador, maquiavélico, mefistofélico, manipulador, e criador de
factos políticos.
Em suma, alguém em quem não se podia confiar, e a quem não se podia confiar o país.
Um biltre com graça que se atropelava a ele mesmo tal a velocidade a que marchava.
Os mesmos jornalistas e analistas e oposicionistas e camaradas de partido que na altura o insultaram, com
requintes de malvadez, reclamam-no agora como campeão da opinião livre e paladino da democracia.
Marcelo, o mártir, sacrificado no altar da televisão tablóide que agora o tratou tão mal e que durante tantos anos ele tem elogiado.
O Amaral é um ingrato. Aliás, todos os tipos chamados Amaral têm que ser tratados com pinças.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Há sempre um objecto de ódio nacional.
Mário Soares, Marcelo, Santana, foram e são inspiradores de linchamentos e malfeitorias. Mário Soares, um respeitável
ancião, reabilitado pela idade e a função presidencial,
nem se lembra já que lhe chamaram ladrão, traidor da pátria e mafioso.
Marcelo é agora o cavaleiro branco, lavado a lixívia e impoluto como todos os comentadores deste mundo (Ah! Ah! Ah!). Respeitável, portanto.
Um dia, será a vez de Santana envelhecer e ser considerado um grande estadista e fundador da portuguesa pátria.
Daqui a uns trinta anos, o velhinho estará coberto de elogios. Como dizia o outro, com o tempo tudo se torna respeitável, os prédios feios, os gangsters, as putas.
E os políticos, devia acrescentar-se.
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