| Subject: Re: Volta Guterres |
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Date Posted: 19/10/04 12:12
In reply to:
LUÍS SALGADO DE MATOS
's message, "Volta Guterres" on 19/10/04 8:56
..da-se! Já não bastam os textos dos comunas zarolhos que aqui intervêm e ainda trazem para aqui zarolhos burgueses!
>O mais significativo na proposta orçamental para 2005
>é aumentar o défice por prever a retoma económica. O
>mais significativo no debate da proposta orçamental é
>a unanimidade das oposições em torno de mais
>irresponsabilidade orçamental.
>
>Como o leitor sabe, a ortodoxia keynesiana manda o
>Estado aumentar os impostos quando há retoma: no Verão
>guardamos para o Inverno. O pecado económico do Eng.º
>Guterres foi gastar em tempo de abundância as
>poupanças da era de escassez. O PSD e o PP
>criticaram-no muito por isso - e agora, talvez em
>menor escala, fazem o mesmo.
>
>O Governo terá sido habilidoso em fazer suas as
>originais propostas da oposição tipo Bloco de
>Esquerda: diminuir as receitas públicas e aumentar as
>despesas a fim de diminuir o défice. Habilidoso mas
>perverso pois aumentará do défice público, mesmo que o
>petróleo desça para os 38 dólares e a economia
>europeia retome. O aumento do défice irá direitinho
>para o acréscimo dos salários da função pública. Como
>pagaremos estes aumentos? Como os aplicaremos?
>
>Não os financiaremos com aumentos de produtividade
>pois, ao que parece, a receita do Estado voltará a
>crescer mais do que o Produto. Pagá-los-emos com
>receitas extraordinárias - com o património. Como
>aplicaremos esses aumentos? A consumir, sobretudo bens
>e serviços importados. Será mínima a parte investida.
>Menor ainda a que se dirigirá ao investimento
>reprodutivo. Tanto mais que o mercado de capitais é
>desincentivado.
>
>Deitamos petróleo na fogueira. Porque a fórmula
>política obriga os governantes a serem optimistas. A
>oposição censura o Governo por dar pouco e assim o
>legitima a dar demais. Os portugueses querem isso? As
>últimas sondagens dão uma nova baixa na nossa
>confiança no futuro. Os portugueses são realistas mas
>o regime recusa-lhes a verdade que eles pedem - e
>mete-lhes nas mãos dinheiro emprestado.
>
>É certo que o Eng.º Sócrates manifesta dúvidas sobre
>as contas públicas e talvez revele uma virtuosa
>reserva mental no tocante à bondade do défice. Mas irá
>mais longe do que o Dr. Durão Barroso que, no Governo,
>se declarou surpreendido com o défice que tanto
>denunciara na oposição? É duvidoso: deseducar o
>público é sempre contraproducente, em particular numa
>democracia representativa.
>
>Mais défice é mau porque nos arruína lentamente,
>fazendo diminuir a nossa competitividade, aliás de
>novo em perda, como há poucos dias foi evidenciado
>pelo agravamento do défice comercial. Está criado um
>perigoso consenso nacional: devemos consumir sempre
>mais e para isso é bom vendermos as poupanças e
>pedirmos emprestado. O que nós ou os nossos
>antepassados pouparam é nosso - embora devesse ser
>guardado para ocasião mais difícil que já se perfila
>no nosso horizonte. O emprestado é dos outros e tem
>que ser pago. Se houvesse escudo para desvalorizar,
>pagaríamos com a baixa dos salários reais. Como não
>há, pagaremos com falências e desemprego.
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