| Subject: Não Falhou Porque Não se Chegou... |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 14/09/04 9:35
In reply to:
António Fagundes
's message, "O que falhou no comunismo?" on 11/09/04 11:21
A.Fagundes - Já ontem referi ,mas o texto não apareceu, que o amigo Fagundes me supreende pela irregularidade das suas opiniões.
Aquilo a que chama comunismo e que é, na realidade ,a sociedade socialista constituio , pela sua própria destruição , um marco importamte para a história da humanidade.
Foi uma etapa histórica que surge, em diferentes condições concretas e subjectivas, com um grande élan de emancipação e justiça social e assente em pressupostos teóricos que lhe conferiram uma legitimidade no quadro das ciencias sociais .
As vicissitudes ,os fracassos relativamente às metas préviamente desenhadas (talvez mal desenhadas) e a desvalorização na educação e práticas socialistas, conduziram à degenerescência das diversas experiencias do socialismo.
Acresce referir, que os modelos do socialismo como via para a sociedade comunista não visavam ,ou não visariam ,uma sociedade de emulação e competitividade estrita com o modelo capitalismo e os seus mais expressivos indicadores económicos. Essas políticas ,incrustadas no quadro de algumas das opções prioritárias desses Estados do campo socialista constituiram , flagrantemente , o seu " calcanhar de Aquiles“ .
Os resultados , mesmo numa situação de elevada igualdade social , não se traduziram em perspectivas diversas de olhar o mundo e numa ética comunitária e solidária que pudesse contrariar a monetarização e mercadorização do quotidiano.
O déficit politico que isto representou , e àquilo a que conduziu , obriga-nos a uma reflexão honesta ,mas nunca a dar por encerrado o processo histórico que o socialismo anunciou.
Que falhou na URSS e na RDA? Precisamente a educaçã
>a escola socialista, os ideais socialistas”.
>
>A pergunta, com mais propriedade, deveria ser
>reformulada, de forma a poder abranger as revoluções
>comunistas em geral. Assim, por exemplo: porque falhou
>o comunismo?
>
>Esta, em meu entender, seria a pergunta correcta que
>os comunistas deveriam colocar. O colapso foi geral,
>ao nível da economia e da política, e não se resumiu
>apenas aos regimes implantados por golpes de Estado
>insurreccionais e guerras civis (as revoluções
>proletárias, as revoluções democráticas e nacionais,
>as revoluções democrático-populares, as revoluções…),
>mas também àqueles onde a conquista do poder se
>efectivou por golpes palacianos ou se resumiu à
>transferência das mãos do exército vermelho, por vias
>mais ou menos pacíficas ou não muito conturbadas. E o
>tempo decorrido foi longo, suficiente para que o
>chamado socialismo pudesse mostrar o que valia no
>confronto com o capitalismo.
>
>Não faltarão respostas, dado que tudo falhou, se
>comparado com os esboços da profecia: nem abundância,
>nem amplas liberdades, muito menos a tão almejada
>igualdade (ainda que muito menor desigualdade
>material…). E não faltarão graduações para as causas,
>qual delas a mais importante. Por fim, causa das
>causas, a culpa há-de ir inteirinha para o sacana do
>imperialismo.
>
>Em vez deste exercício inglório, porque não se dedicam
>a questionar a profecia e os seus alicerces teóricos?
>A tarefa é assaz difícil, e, além do mais, ingrata e
>cheia de dissabores, eu sei. Para qualquer crente pela
>fé é muito mais fácil e reconfortante aceitar as
>verdades eternas que o filho de qualquer deus pai todo
>poderoso já proclamou! E, depois, prás massas, tudo o
>que passe das questiúnculas concretas da pequena
>política é incompreensível. Afinal, pra que se adere a
>um partido (ou a uma seita religiosa)? Não é pra que
>ele nos forneça a explicação pra tudo e a orientação a
>seguir em todos os momentos?
>
>Façam um esforço: questionem as verdades axiomáticas
>do comunismo como sucessor do capitalismo e do
>proletariado como sucessor da burguesia, com a nobre
>missão de remir os pecados cometidos pela Humanidade
>com a implantação da propriedade privada dos meios de
>produção. Não se preocupem, que os pecados não hão-de
>durar pra sempre, isso é mais do que certo, mas
>questionem o resto. Ao menos pra tirarem melhor
>proveito da luta económica e política com os
>trapaceiros dos capitalistas!
>
>António Fagundes.
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