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Subject: Globalização ,Capitalismo e Lénin


Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 31/08/04 12:25
In reply to: Guilherme Statter 's message, "TROCA DESIGUAL E EVOLUÇÃO SOCIAL - 1" on 25/08/04 14:32

O que há de novo, disse Lénin a respeito do capitalismo , depois da viragem no começo do século XX,é que a dominação do capital financeiro substituiu a do capital em geral. E o que era o capital financeiro ? pergunta-se .
Era e continua a ser não só o capital bancário e a sua utilização pelos industriais, mas também o elemento de monopólio ,a fusão dos monopólios como o monopólio da Banca com a Renda da Terra na especulação dos terrenos nas cidades industriais . Na sua análise sobre o imperialismo Lénin refere que o monopólio ,uma vez formado , infiltra-se em todos os domínios da vida social ,e que o capitalismo separa a propriedade do capital e o seu investimento ,o capital - empréstimo e o capital produtivo ,o que vive da renda e o industrial.
No imperialismo como nos ensinou e hoje, pasme-se ,verificamos,aquela separação atingiu e atinge proporções fantásticas na área financeira .
O imperialismo , tal como hoje a globalização ,surgiu como desenvolvimento e continuação directa das propriedades essenciais do capitalismo.
A Globalização até não é mais do que um patamar ,um patamar muito elevado do desenvolvimento do imperialismo e da própria revolução interna do modo de produção capitalista ,revolução contraditória porque desencadeia o aparecimento de elementos que poderão ,devida a uma socialização crescente da produção de mercadorias mas também de bens intangíveis (a Sociedade do Conhecimento) ,abrir caminho a alterações nas relações de produção.
Neste sentido a propriedade privada dos meios de produção é ,ou passará a ser , um invólucro sem correspondência de conteúdo.A actualidade de Marx e Lénin é por demais evidente ,insuspeitadamente actual.







L>Começo por aconselhar (vivamente!...) a leitura do
>texto de José Manuel Correia (ver neste forum em
>"Textos/Documentos").
>Embora se trate de um texto muito denso (até pesado,
>para quem não gosta de "matemáticas", eh eh eh...),
>mas que vale a pena ler e reler.
>Até para melhor se perceber a floresta de enganos em
>que por vezes se convertem muitas discussões sobre
>"marxismo".
>Devo também confessar que não sou muito dado a
>discussões "meta-literárias" sobre o que disse ou
>deixou de dizer Marx e alguns dos seus mais conhecidos
>"discípulos". Digamos que entre ler o Eça de Queiroz e
>ler o que dizem os críticos literários queirosianos,
>não hesito: Prefiro o Eça!!! Ou seja, de Marx retenho
>a teoria do valor e a análise do processo de
>exploração. E depois procuro partir para análise da
>realidade social e económica que encontro à minha
>volta.
>Mas voltando ao texto de José Manuel Correia, confesso
>que fiquei algo desapontado, não por uma qualquer
>falta de qualidade (pelo contrário) mas sim pelas
>expectativas em termos daquilo que me pareceu sugerido
>por um diálogo anterior. Isto, porque fui levado a
>pensar (culpa minha, claro...) que o texto de
>J.M.Correia discutiria também a teoria do valor. E
>porque, naquele “diálogo” (que veio a propósito do
>tema da exploração (lembro!...), J.M.Correia
>argumentou que a teoria da exploração seria um
>equívoco e que Marx estaria enganado na sua Teoria do
>Valor (que explica a dita cuja “exploração”). A certa
>altura diz J.M.Correia explícitamente
>“A teoria marxista da exploração através da
>apropriação do produto excedente criado pela força de
>trabalho não tem consistência. Na concepção marxista,
>que aqui em nada difere da dos economistas... etc”
>Pelo que fui à procura da discussão sobre “exploração”
>e “teoria do valor”.
>Mas não. O texto de J.M.Correia é dedicado (quase que
>exclusivamente) ao clássico tema do equilíbrio entre
>os dois grandes sectores da produção capitalista: a
>produção de bens de consumo e a produção de bens de
>produção. Embora não seja (de todo) uma questão
>bizantina, é certamente um problema derivado (diria
>mesmo “secundário”), em relação ao problema “primário”
>da realização das mais-valias (ou sobreproduto
>colectivo), produzidas mas ainda não convertidas “de
>volta” em capital-dinheiro.
>O problema da minimização dos custos (maximização da
>produtividade) é comum a ambos os sectores e se há
>desequilíbrio (há sempre desequilíbrio... o equilíbrio
>(estático ou dinâmico) é uma útil ficção teórica), se
>há desequilíbrio, (quer dizer se se produz mais do que
>o mercado quer consumir (em bens de produção ou em
>bens de consumo), os proprietários e gestores das
>empresas fazem aquilo que sempre fizeram: saldos...
>“Debitando” os respectivos custos ao novo ciclo de
>produção. Ou abrindo falência e “debitando” os
>respectivos custos à sociedade como um todo...
>Parece que alguns autores “marxistas” procuraram
>explicar “A CRISE” recorrendo à discussão analítica
>das relações entre aqueles dois sectores da produção
>(em vez da discussão daquilo que é comum aos dois
>sectores... estranho, não é?...).
>Um livro de António Mendonça (autor referido por
>J.M.Correia) tem aliás o título de “A Crise Económica
>e a sua Forma Contemporânea” (Editorial Caminho,
>Lisboa 1987). Refiro este autor apenas porque tive
>ocasião de com ele discutir este tema, não porque o
>livro referido seja sobre “exclusivamente” sobre esta
>abordagem (dos dois sectores...). Já agora acrescento
>que Mendonça também afirma, como J.M.Correia, que
>“isto tudo” (em particular a queda tendencial da taxa
>de lucro) é “uma indeterminação”. E que os
>capitalistas já aprenderam a viver com ela. Estando
>nós de acordo quanto a este último ponto.
>Por agora fico-me por aqui. Espero voltar ao tema...
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter

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