Sou taberneiro, com gosto, mas apenas da minha tasca! Esta é do Redondo. Se fosse minha, freguês como tu ficava à porta, a ouvir, e só voltava a cá entrar e botar faladura depois de se emendar, de perder os muito maus hábitos que tem (o pior dos quais é distorcer despudoradamente as palavras dos outros) e de se deixar de se armar em marxista e em comunista. Poderia continuar a ser pavão empertigado, mas, ao menos, não enganava ninguém, porque os pavões não voam, e eu deixava de lhe ligar! Interessa-me discutir com marxistas a sério, um pouco menos com comunistas de fé, mas nada com ecléticos e eruditos de cábulas mal decoradas pescadas na rede, como é o teu caso! Brrrrr!!!
Bem, vamos ao que interessa, que se faz tarde!
Como é teu hábito, não sabes ler! Não sabes o significado de “no mínimo, taxas de lucro idênticas”? Pelos vistos, não sabes! Mas, para apresentares o teu ponto de vista não era necessário distorceres o dos outros! Pois, mas o teu ponto de vista é falhudo. Eles, de facto pretendem no mínimo iguais; uns conseguem maiores, aproveitando as suas vantagens competitivas; outros, nem à taxa média chegam! E é por terem taxa inferior à média que estes procuram melhorá-la e atingir a dos outros e, se possível, ultrapassá-la. Acontece, que os ciclos de rotação do capital circulante são varáveis, em geral menores de que o ciclo do capital ou até do que o ciclo contabilístico anual, e os preços das mercadorias lançadas no mercado têm de ser determinados com base numa taxa de lucro estimada, que terá de se ir ajustando, para mais ou para menos, consoante o escoamento da produção. De pouco vale a um capitalista desejar uma taxa de lucro mais elevada; falta provar se a consegue; mais realista, é desejar que pelo menos (no mínimo!) seja idêntica à média, mas também falta provar se a consegue, ou se consegue maior ou menor. De resto, é a questão do ovo e da galinha: estas nascem dos ovos, mas também põem ovos…
O problema, contudo, é outro, e prende-se com a concepção, errada, de Marx, que apresenta os seus esquemas do valor baseados em taxas de lucro desiguais e inversamente proporcionais à composição orgânica do capital, e, quando introduz a correcção do valor para os preços de produção, invoca a tendência para a perequação dos lucros, mas baseado numa dedução infantil: que os capitalistas agem como se fossem accionistas duma empresa global, com negócios por diversos ramos, onde num teriam uma taxa de lucro e noutro teriam outra diferente. O que, convenhamos, é uma explicação que não explica nada, porque se refere a uma realidade que não existe, nem como modelo abstracto! Só que aprofundar este assunto teria as maiores repercussões nas concepções marxistas do valor e da exploração! Mas, disto, tu não pescas peva! E eu não sou a pessoa mais indicada para te dar baile!
E quanto ao trabalho produtivo também não pescas peva. Aí, então, nem conheces as teses do Marx, quanto mais criticá-las. Não digas, portanto, baboseiras!
E não tenho pachorra pra te aturar mais, pavão impante!