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Date Posted: 6/09/04 19:41 In reply to:
Luis Blanch
's message, "Re: Uma nova teoria da exploração?" on 6/09/04 15:44
Estimado Luís Blanch,
O nosso "taberneiro" sr. António Fagundes já respondeu, tão bem, às questões levantadas que me restam só algumas pequenas achegas... Nem é a corrigir (o que diz o nosso estimado "taberneiro"), mas simplesmente assinalar algumas (poucas, mas em alguns casos fundamentais) diferenças de perspectivas. Tal como já tive ocasião de uma vez aqui escrever (neste forum) até há MUITAS coisas em que estou de acordo com o que diz o nosso "taberneiro"...
Por exemplo,
Quando o sr. Fagundes diz
"apesar dos capitalistas pretenderem, no mínimo, taxas de lucro idênticas para remunerar os seus capitais, elas acabam por ser desiguais".
Eu diria que é tendencialmente ao contrário (sublinho o tendencialmente!)...
Ou seja, cada capitalista pretende para si taxas de lucro MAIS elevadas do que as dos outros. Logo diferentes. Mas elas acabam por tenderem a serem iguais. Como aliás o mesmo sr. Fagundes diz mais adiante no seu texto:
"a mobilidade dos capitais de uns ramos para outros, acabará por reduzir as diferenças nas taxas de lucro, tendendo a igualá-las (a chamada perequação dos lucros)".
Portanto quanto a isto, penso que o sr. Fagundes já o esclareceu.
Já no que diz respeito à questão do "lucro e quota de mercado", eu acrescentaria apenas que
"pequenas empresas, com uma quota de mercado menor do que outras de maior dimensão, podem apresentar margens e taxas de lucro maiores" (e estou a citar o sr. Fagundes), essas pequenas empresas acabam por estar sempre na mira das empresas de maior dimensão para efeitos de sua eventual aquisição, nos tais processos de "concentração do capital" de que tanto falava Marx.
Já no que diz respeito ao trabalho produtivo e improdutivo, li e reli o seu texto à procura de dúvidas suas relativamente a isto. Como não encontro nada disso (ou de semelhante... mas corrija-me se estiver enganado), e como esta é uma matéria em que discordo quase totalmente das posições do nosso estimado "taberneiro" e considerando ainda que já tive ocasiões de sobra, de aqui esclarecer o meu posicionamento sobre esta questão, não me pronuncio sobre o assunto.
Já no que diz respeito à empresa chinesa que o Luís Blanch refere, e à sua menor quota de mercado, lembro apenas alguns factos de observação corrente:
- A quota de mercado de uma empresa pode ser menor à entrada dessa empresa no mercado. Quase de certeza que é... Aliás à entrada é mesmo MUITO menor.
- Mas se essa empresa tiver "arcaboiço" financeiro (e não só) para se aguentar e se conseguir (publicidade?, redes de distribuição? qualidade do produto?) "manter-se em jogo", então é muito provavel que consiga aumentar a sua quota de mercado. No exemplo que aponta, essa dita empresa chinesa até beneficiará da sobreexploração do factor trabalho, na medida em que os pescadores e operários do frio, chineses, estão (por enquanto?...) dispostos e disponíveis para trabalhar por "muito menos" do que os pescadores e operários do frio "europeus".
Por outro lado haverá a considerar as estratégias de gestão e diversificação dos mercados em que operam cada uma das empresas em presença.
O "Boston Consulting Group" desenvolveu já há uns 20 anos (talvez mais... o tempo passa a correr) uma metodologia de análise exactamente desta questão da "gestão e diversificação" de mercados, para melhor se compreenderem as movimentações das empresas ao longo das diversas "cadeias de valor" acrescentado.
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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