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>Estimado Jorge,
>As leituras que sugere são sempre interessantes e até
>proveitosas para se perceber como "estas coisas"
>funcionam ou deixam de funcionar.
>No que diz respeito aos pontos por si referidos,
>sublinho o ponto chave referido por
>color=#990000">Betelheim quando diz
>color=#990000">que aquilo que "caracteriza o
>socialismo, por oposição ao capitalismo, não é a
>existência ou inexistência de relações mercantis, da
>moeda e dos preços, mas sim a existência de dominação
>do proletariado".
>Ou seja o nó górdio desta questão está nas relações
>de classe e na distribuição do PODER.
>Haverá também que definir (substantivamente) o
>conceito de "proletariado", o qual me parece -
>esse sim - ter evoluído de forma MUITO significativa
>ao longo do século XX.
>Entretanto e a propósito de outras transições, trago
>aqui à colação o "meu tema favorito"... A famigerada
>queda tendencial da taxa de lucro.
>É que, como está demonstrado alhures (e não se
>justifica reproduzir agora aqui), se não houver no
>sistema capitalista uma tendencia decrescente ou queda
>tendencial da taxa de lucro, então nada garante
>que o sistema capitalista não seja um sistema
>intemporal (ou ahistórico) e que portanto não possa
>perdurar "per secula seculorum" (e não
>amen...).
>Vem isto - este chamar de atenção para uma tese de
>Paul Sweezy favorável a esta última posição... – a
>propósito de uma eventual “transição” no pensamento de
>Paul Sweezy.
>E passo a transcrever partes de um ensaio de
>color="#9900ff">Jim Miller, denunciando
>exactamente essa situação.
>Paul Sweezy, por exemplo, numa
>palestra em 1981, tenta demonstrar a possibilidade de
>crescimento substancial na produtividade do trabalho
>sem haver substituição de trabalho por maquinas.
>Argumenta Sweezy:
>"...A lei de Marx da tendencia decrescente da taxa
>de lucro tinha fundamento nas condições do capitalismo
>do século XIX (onde é que eu
>já vi isto?... G.Statter). Mas deve-se
>acrescentar que ela perde plausibilidade quando
>aplicada ao capitalismo plenamente amadurecido que
>emergiu no século XX...
>"A forma como os capitalistas aumentam a produtividade
>do trabalho (aumentando assim a sua taxa de lucro) não
>pode mais ser assumida como sendo em geral através da
>substituição de trabalho vivo por maquinaria. Pode
>também ser através da substituição (de maquinaria) por
>máquinas e processos mais produtivos" (Sweezy, 1981,
>pag. 52).
>Para reforçar esta asserção, Sweezy cita então O
>Capital, Vol I, onde Marx
>afirma:
>"Uma parte do capital constante
>em funcionamento consiste de instrumentos de trabalho
>tal como maquinaria, etc., os quais não são
>consumidos, e por conseguinte não reproduzidos ou
>substítuidos por novos (instrumentos) da mesma espécie
>até passarem longos períodos de tempo... Se a
>produtividade do trabalho aumentar, durante o tempo de
>utilização (e desgaste) destes instrumentos de
>trabalho(e essa produtividade desenvolve-se
>continuamente com o avanço ininterrupto da ciência e
>da tecnologia), máquinas, ferramentas e aparelhos mais
>baratos, substituem os antigos. O capital antigo é
>reproduzido numa forma mais produtiva, além dos
>melhoramentos constantes de detalhe nos instrumentos
>de trabalho já em uso" (Marx, 1977, p. 753).
>Mas esta asserção de Marx não permite (não dá suporte)
>à perspectiva de Sweezy de que a substituição de
>máquinas menos produtivas por máquinas mais produtivas
>difere da substituição de trabalho vivo por máquinas.
>Estes dois processos são um só e o mesmo. A expressão:
>"máquinas (ou processos) mais produtivos" não pode
>significar outra coisa senão: "substituir trabalho
>vivo por máquinas (ou processos)". Uma máquina mais
>produtiva é uma máquina que torna possível a produção
>de mais unidades de produção física por
>trabalhador-hora, o que é o mesmo que dizer "produz o
>mesmo numero de unidades com menos tempo de trabalho
>(vivo)". Por outras palavras, o rácio entre a
>maquinaria e o trabalho vivo aumenta, ou, o trabalho
>vivo é substituído por maquinaria.
>Ou seja e voltando então "às transições", a questão
>chave estará na capacidade de controle (por parte do
>poder político) relativamente às contradições
>inerentes ao funcionamento do sistema capitalista,
>sabendo-se no entanto que até hoje a Humanidade ainda
>não "inventou" um sistema social de produção (insisto
>"produção"!...) mais eficaz a curto e médio
>prazo.
>Quanto à questão do que está a acontecer na China
>(eventualmente similar ao que aconteceu na
>ex-URSS?...), e voltando ao tema central levantado por
>Betelheim relativamente à distribuição do PODER, a
>questão a observar será a evolução da composição do
>PCC e o acesso cada vez mais pronunciado (ou não) dos
>empresários novos-ricos às cúpulas do poder decisório
>a nível nacional.
>E a capacidade dos dirigentes do PCC para controlar e
>dirigir as contradições emergentes com o alargar dos
>mecanismos próprios da lógica de funcionamento do
>capitalismo.
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter
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