| Subject: Re: O "socialismo" para as calendas...Talvez Não |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 19/08/04 16:45
In reply to:
Fernando Penim Redondo
's message, "O "socialismo" para as calendas..." on 19/08/04 16:28
Caro Fernando
Por comodidade compreensível ,a alternativa ao capitalismo,mesmo na sua desapiedada forma actual,é o socialismo.
É tanto ou mais "interessante " esta fase do modo de produção onde nos encontramos que estamos já a sentir, embora ainda menos do que nos países do capitalismo mais avançado, que o proletariado (grosso modo ) todos os que vendem a sua força de trabalho, estão a reeditar e a recolocar os mesmos problemas que o proletariado dos começos do sec. passado.
É pois nesta conjuntura que se ´põe com acuidade crescente a necessidade de reestruturação da vida sindical e a recomposição "aggiornata" dos partidos operários .
De facto a História parece repetir-se e certamente com uma acrescida virulência...
>
>Penso que a tua resposta contem várias confusões:
>
>1. O que está em causa não são as previsões acerca da
>data da concretização do objectivo da substituição do
>capitalismo (por comodidade temos chamado “socialismo”
>ao novo modo de produção) mas sim o que pretendemos
>que exista quando o capitalismo deixar de existir.
>Após a derrocada do sistema soviético ninguém sabe o
>que os revolucionários de esquerda pretendem como
>resultado da revolução (violenta ou pacífica, não vem
>agora ao caso).
>2. Por isso quando eu digo que “o socialismo está na
>ordem do dia” não quero obviamente dizer que ele se
>vai concretizar a curto prazo mas sim que é
>imprescindível caracterizar um modo de produção
>alternativo e tentar ganhar as pessoas para ele.
>3. Se tal não for realizado a esquerda continuará a
>padecer de falta de justificação e credibilidade para
>as suas acções. Há uma contradição entre por um lado a
>crítica violenta do capitalismo, que é apresentado
>como fonte de crises, desastres ambientais, miséria e
>por outro a ausência de uma proposta alternativa de
>sociedade. Então o capitalismo está a destruir o
>planeta, a reduzir milhões à morte pela fome, a
>desencadear guerras atrozes e nós dizemos que “...uma
>sociedade socialista, está hoje longe de estar em cima
>da mesa ou, se quiserem, na ordem do dia...” ? Ninguém
>percebe tal coisa...
>4. Dizes: “Marx nunca disse o que seria a sociedade
>socialista” ora isso aconteceu porque Marx viveu numa
>fase muito inicial do capitalismo. Mesmo para um
>grande teórico como Marx seria impossível antever,
>nessa altura, um modo de produção alternativo pois os
>factores contraditórios do capitalismo estavam muito
>longe de se ter desenvolvido plenamente.
>5. Dizes: “Ora o que a alternativa de esquerda tem que
>fazer é propor um conjunto de pontos, diferentes dos
>da direita, que poderia executar em conjunto e,
>evidentemente, aparecer com credibilidade política
>para os pôr em prática”. Ora sem saber qual é o nosso
>objectivo como podemos avaliar a bondade ou a maldade
>das propostas ? Se não sabemos para onde vamos como
>sabemos quais são as lutas justas ? Se não temos uma
>caracterização da sociedade futura como sabemos quem
>são os potenciais aliados e os inimigos ?
>6. A falta de coragem na resolução desta indefinição
>tem levado a um funcionamento oportunista, uma
>balcanização dos descontentamentos. Todas as lutas são
>boas, mesmo se contraditórias, já que são vistas como
>forma de ganhar apoios. Fomenta-se uma atitude
>mesquinha de luta pelos interesses individuais e de
>grupo quando a política devia ser o primado do “bem
>comum” para a imensa maioria.
>7. Enquanto que no passado os partidos levavam os
>sindicatos a assumir lutas do foro político hoje são
>os partidos que funcionam como organizações sindicais.
>8. Na minha juventude aderia-se a um partido
>revolucionário para transformar o mundo. Foi também
>essa a minha experiência pessoal. Hoje pensa-se nos
>aumentos de ordenado e no calculo das reformas
>(pessoais ou de grupo).
>9. Dizes:”Portanto, sem impedir que se discuta o que
>poderá vir a ser a sociedade socialista, e hoje já há
>muito mais informação sobre o que foi o modelo
>soviético, temos que ter algum pudor em pensar que nós
>aqui podemos definir o que seja um projecto socialista
>para Portugal. Quase que me atreveria a propor que o
>socialismo se constrói, construindo.” Aquilo que eu
>leio nesta tua frase é que tu pensas que se chega ao
>“socialismo” obrigando o Governo a aumentar os
>funcionários públicos, impedindo as multinacionais de
>fecharem umas fábricas no Norte, torpedeando a
>privatização de uns quantos hospitais, etc, etc. Se
>assim é penso que estás totalmente equivocado...
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