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Subject: Re: reescrever a história


Author:
António Fagundes
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Date Posted: 22/08/04 22:23
In reply to: paulo fidalgo 's message, "reescrever a história" on 22/08/04 11:39

Fidalgo.

Gostaria de levar mais longe esta discussão. Perante tamanha salgalhada conceptual e de argumentação, de tanta ingenuidade na análise das lutas das classes (julgando que ela se faz com expedientes ou o ludibrio das classes intervenientes) e de tão pouco apreço pelos factos históricos, falta-me a pachorra.

Espero que outros frequentadores no fórum intervenham com outras contribuições, para animar um pouco mais a discussão.

António Fagundes.

>1 - fica claro que para o Fagundes, o recurso a
>soluções capitalistas num processo de transição está
>vedado aos comunistas e, é claro, que não posso estar
>mais em descordo. Não posso deixar de recorrer a um
>argumento de autoridade: é que nenhum marxista,
>ortodoxo ou não, escreve semelhante tese. Podem
>praticá-la, agora escrever não.
>
>2 - argumentos "vulgares" aplicam-se á noção de
>"marxismo vulgar" que prolifera no campo comunista e
>que basicamente se estriba numa supersimplificação das
>análises e das decisões do género:se os mujiques
>querem controlar o sobreproduto do seu trabalho isso é
>porque são herdeiros de mentalidade retrógrada e
>transportam consigo o pecado original de serem
>capitalistas em potência. Isto é porque numa
>perspectiva "vulgar" o capitalista peca sempre por
>querer controlar o sobreproduto e o comunista estará
>sempre disposto a dele perscindir ou espera-se que
>dele prescinda a favor do colectivo.
>
>3 - "recurso" e "recuo" têm para mim sentidos
>semelhantes nesta discussão. Só se "recorre" a um
>expediente quando não se pode ir por caminho mais
>rápido. Portanto, trata-se de um "passo atrás"
>
>4 reescrever a história é o que os comunistas, pelo
>menos cada vez maior número deles, anda hoje em dia a
>fazer. É que a história escrita antes é um produto
>também da subjectividade e contém referências,
>arquétipos de análise vinculados pressupostos que
>entretanto podem ter evoluído e portanto, podemos
>dizer, aplicando com simplicidade a abordagem do
>materiralismo, que a história está constantemente a
>ser escrita e reescrita. De outro modo, a nossa
>conduta no presente dificlmente evoluiria se,
>porventura, a nossa visão do passado estivesse para
>sempre congelada
>
>5 - é tão legítimo encarar o pensamento de Deng Xiao
>Ping como retoma, em condições diversas é certo, de
>uma linha NEP, como qualquer outra analogia. Desde que
>faça sentido podemos trabalhar nesse cenário. Da mesma
>maneira, as manifestações de o "grande salto em frente
>e a revolução cultural tiveram aspectos que podoem ser
>vistos como de comunismo de guerra. Aliás, é possível
>construir uma "narrativa" (para usar uma analogia dos
>pos-modernos) em que a história da estratégia
>comunista no século XX é a história de uma constante
>confrontação e ambiguidade (ambiguidade é expressão
>usada por Samir Amin, marxista egípcio de renome
>mundial, que se referia à precoce ambiguidade em que
>mergulhou a direcção bolchevique) entre mais ou menos
>NEP e mais ou menos comunismo de guerra. Claro que
>assim estaremos talvez a reesecrever a história. Ou a
>escreve-la à luz de uma nova matriz de análise e assim
>se espera que mais luz surja para contra-atacar o
>capitalismo que é o objectico que anima o esforço dos
>comunistas.

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Replies:
Subject Author Date
salganhadapaulo fidalgo22/08/04 22:41


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