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Date Posted:22/08/04 11:39 In reply to:
António Fagundes
's message, "Re: capitalismo como recurso?" on 22/08/04 10:37
1 - fica claro que para o Fagundes, o recurso a soluções capitalistas num processo de transição está vedado aos comunistas e, é claro, que não posso estar mais em descordo. Não posso deixar de recorrer a um argumento de autoridade: é que nenhum marxista, ortodoxo ou não, escreve semelhante tese. Podem praticá-la, agora escrever não.
2 - argumentos "vulgares" aplicam-se á noção de "marxismo vulgar" que prolifera no campo comunista e que basicamente se estriba numa supersimplificação das análises e das decisões do género:se os mujiques querem controlar o sobreproduto do seu trabalho isso é porque são herdeiros de mentalidade retrógrada e transportam consigo o pecado original de serem capitalistas em potência. Isto é porque numa perspectiva "vulgar" o capitalista peca sempre por querer controlar o sobreproduto e o comunista estará sempre disposto a dele perscindir ou espera-se que dele prescinda a favor do colectivo.
3 - "recurso" e "recuo" têm para mim sentidos semelhantes nesta discussão. Só se "recorre" a um expediente quando não se pode ir por caminho mais rápido. Portanto, trata-se de um "passo atrás"
4 reescrever a história é o que os comunistas, pelo menos cada vez maior número deles, anda hoje em dia a fazer. É que a história escrita antes é um produto também da subjectividade e contém referências, arquétipos de análise vinculados pressupostos que entretanto podem ter evoluído e portanto, podemos dizer, aplicando com simplicidade a abordagem do materiralismo, que a história está constantemente a ser escrita e reescrita. De outro modo, a nossa conduta no presente dificlmente evoluiria se, porventura, a nossa visão do passado estivesse para sempre congelada
5 - é tão legítimo encarar o pensamento de Deng Xiao Ping como retoma, em condições diversas é certo, de uma linha NEP, como qualquer outra analogia. Desde que faça sentido podemos trabalhar nesse cenário. Da mesma maneira, as manifestações de o "grande salto em frente e a revolução cultural tiveram aspectos que podoem ser vistos como de comunismo de guerra. Aliás, é possível construir uma "narrativa" (para usar uma analogia dos pos-modernos) em que a história da estratégia comunista no século XX é a história de uma constante confrontação e ambiguidade (ambiguidade é expressão usada por Samir Amin, marxista egípcio de renome mundial, que se referia à precoce ambiguidade em que mergulhou a direcção bolchevique) entre mais ou menos NEP e mais ou menos comunismo de guerra. Claro que assim estaremos talvez a reesecrever a história. Ou a escreve-la à luz de uma nova matriz de análise e assim se espera que mais luz surja para contra-atacar o capitalismo que é o objectico que anima o esforço dos comunistas.
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