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Date Posted:17/12/04 11:42 In reply to:
Ângelo Novo
's message, "A "ditadura do proletariado"" on 17/12/04 10:20
>Sim , Ângelo Novo . Falar de ditadura do proletariado como uma figura actual ,susceptível de poder ser levada à práctica pela mão de um qualquer "Sendero "Luminoso" ,de um qualquer país como o Perú é, no mínimo um academismo retórico,uma curiosidade política perfeitamente datada e contextualizada , onde só um esquizofrénico e celerado como o snr. Adalberto Guzmán se lembraria de advogar e exaltar.
Não Ângelo , não tenho a pretensão de te ensinar o que é a dialéctica marxista ,mas hoje com estas profundíssimas alterações económicas e a avassaladora misceginação social, em que a osmose social penetra nos interst´cios do capitalismo , resulta problemático encaixar , nos esquemas clássicos, a actual
arrumação de classes. Falar de proletariado "tout court " e ainda por cima da sua ditadura , Por Favôr!?
>Sobre esta questão, aproveito para dizer que eu
>continuo efectivamente a usar o conceito de "ditadura
>do proletariado" no meus escritos. Um pouco por
>deferência reverencial para com o "velho", um pouco
>por pendor para o clássico, e um pouco porque esta
>expressão tem pelo menos a honesta rudeza de não
>esconder que, de facto, na transição para o novo
>regime político-social, pode passar-se por uma fase
>com medidas de coacção excepcionais, até se conseguir
>dominar a resistência organizada das velhas classes
>dominantes.
>
>O que é essencial é não fazer da excepção a regra do
>novo regime, como fez Estaline e depois na esteira
>dele se generalizou em todas os ditos "países
>socialistas", em que ademais essa coacção se dirigia
>agora contra o próprio povo, para mantê-lo disperso na
>apatia e na resignação.
>
>Quanto ao novo regime em si, dependendo dos contextos
>geográficos e sociais, talvez se lhe possa chamar
>democracia trabalhista, poder popular, etc.. É um
>regime em que as decisões "locais" são tomadas a um
>nível de grande proximidade, e em que há uma grande
>densidade de canais de comunicação e participação
>permanente nas decisões de interesse público geral. E
>de controlo efectivo sobre a execução das mesmas
>decisões.
>
>Posto isto, acho uma estupidez e uma cretinice usar
>este conceito de "ditadura do proletariado" num
>programa partidário, que não é sítio para fazer teoria
>mas para expor sucinta e ordenadamente o que é que se
>pretende fazer. A fundamentação teórica deve constar
>de estudos e documentos à parte.
>
>Mas já que lá estava, no programa do PCP de 1965,
>merece pelo menos uma explicação porque é que se
>retira, e naquela ocasião em especial (Outubro de
>1974). Não houve ocasião para fazê-lo antes?
>
>Andamos a brincar com conceitos teóricos essenciais
>por razões de puro oportunismo político? E afinal o
>que é que quer dizer a retirada da tal "ditadura" do
>programa? Que deixamos de pensar com este conceito ou
>que achamos escusado e deslocado tê-lo no programa
>partidário?
>
>Sem estas explicações, a impressão que fica é de uma
>extrema falta de seriedade do trabalho partidário no
>que diz respeito a teoria, ideologia e programa.
>
>
>Ângelo Novo
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