O Fernando afirma num “post” aqui publicado que Sampaio entregou “a cabeça do Santana numa bandeja” ao PS, afirmando a seguir que “só os básicos é que não percebem estas manobras sofisticadas”, esquecendo-se de dizer que em Julho tinha dito que a decisão de Sampaio era “correcta e corajosa”. Em que ficamos era uma “manobra sofisticada” ou uma decisão “correcta e corajosa”?
O Fernando ao considerar que o pedido de eleições antecipadas estava eivado de grande oportunismo - e aquilo que ele dizia na época era de que a esquerda de um modo trapalhão pretendia ganhar na secretaria (com o Sampaio), aquilo que não tinha ganho no jogo (na luta contra o Governo) – não foi capaz de compreender o que na realidade se passava e a justeza das reivindicações de toda a esquerda.
Hoje, não resta dúvidas a ninguém que aquilo que em Julho foi determinante para a decisão do Presidente foi, por um lado, a posição do patronato, em seguida o posicionamento do PS mais à esquerda e a possibilidade de alianças com a outra esquerda e, por último, um certo embasbacamento perante a possibilidade do Durão ir para Presidente da Comissão e, provavelmente, os compromissos assumidos com ele.
Hoje, com a ajuda preciosa dos disparates de Santana, com o apoio do patronato e com o PS no centro-esquerda, e sem necessidade de alianças à sua esquerda, já é possível dissolver o Parlamento.
A primeira decisão nunca foi correcta nem corajosa, foi oportunista e interesseira e a segunda, correspondendo, ao interesses da esquerda, vem provavelmente com quatro meses de atraso.
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