| Subject: Re: Metamorfoses do Capitalismo e o controle dos meios de produção? |
Author:
Gonçalo Valverde
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Date Posted: 24/09/04 17:29
In reply to:
auguenta os cavais
's message, "Re: Metamorfoses do Capitalismo e o controle dos meios de produção?" on 24/09/04 12:41
No post anterior está-se a fazer confusão entre Direitos de Autor (copyright) e patentes. Os direitos de autor aplicam-se á expressão de uma ideia e não a uma ideia e servem (ou deveriam servir) para proteger os autores de determinada coisa (seja software, música, filmes, etc.). Já as patentes aplicam-se à invenção, e normalmente têm como alvo novos processos, máquinas, composições, etc dando ao inventor o direito de controlar a utilização dessa mesma invenção.
Ora a questão dos direitos de um programa recai claramente no âmbito dos direitos de autor e não nas patentes, as quais se aplicariam isso sim a tipologias de programas, processos, etc. Embora a questão dos direitos de autor também não seja uma questão pacifica (especialmente com a sua prorogação muito para além da morte do autor) mesmo assim é uma questão mais pacifica que a questão das patentes e com muito menos impactos negativos que a questão das patentes. Só para dar uma ideia do que está em jogo segue um link com exemplos concretos: http://webshop.ffii.org/.
Além disso, importa não esquecer que as patentes de software aplicam-se a todo o tipo de software, seja o mesmo comercial o não.. Assim sendo, se eu desenvolver um programa que se verifique que entra em conflito com uma ou mais patentes, mesmo que o pretenda distribuir gratuitamente terei que pagar pelos direitos de utilização se os detentores das patentes assim o exigirem (veja-se o relativametne recente caso do algoritmo LZW pertença da Unisys e que era utilizado no formato de imagem GIF)
>agora, se querem ter acesso àquilo que os outros criaram, então, vão dar uma curva
>inventem, sejam criativos e apresentem melhor
>essa de desejar o melhor do capitalismo à borla, é do caraças.
Novamente, está-se aqui a confundir direitos de autor com patentes. Por outro lado, importa referir que o conceito
software proprietário é mais recente que o próprio software, e até fins da década de 70 era uma questão que não se colocava. Além disso, ao contrári do que se pretende deixar aqui implicito o movimento do software livre engloba diversas visões politicas e existem diversos defensores empedernidos do capitalismo que estão bastante envolvidos no movimento do software livre. Aliás, no filme "Revolution OS" o Eric S. Raymond faz uma diatribe perfeitamente anti-comunista.
E já agora, fique a saber que empresas tão comunistas como a IBM, a Novell, a Sun Microsystems ou RedHat apostam fortemente no software livre.
>Lutem mas é para acabar com as eulas como contrato de licença de utilização (no software e no resto), para que eu >possa fazer o que quiser com o produto que compro (usar em dez máquinas, instalar e desinstalar as vezes que >quiser, oferecer a quem me der na real gana...);
O problema aqui é que estamos a falar de mercadorias intangiveis. Ora se o "aguenta os cavais" é favoravel ao sistema capitalista, defende o software proprietário mas é contra as licenças de utilização, como é que propoem então que as empresas de software proprietário ganhem dinheiro? É que se eu posso distribuir o Autocad por todas as pessoas que conheço e instalar em todos os computadores que me apetecer, de onde é que a empresa que o fabrica vai ganhar dinheiro? Claro que podemos argumentar que vai ganhar dinheiro com a venda de serviços, com a customização do software, a venderem manuais impressos, etc. Mas esse é o modelo utilizado pelas empresas de software livre. Logo a sua defesa de software proprietário mas a sua recusa das EULA's é no minimo contraditória.
Quanto à empresa de Richmond, quem trouxe a mesma para a discussão não fui eu, e o software proprietário não se esgota no produzido por esta empresa. De qualquer das formas já que o caro "aguenta os cavais" gosta tanto de falar nela, importa aqui indicar que em termos de criação propriamente dita essa empresa nem é das mais inovadoras ou criativas, e costuma preferir comprar criações alheias. Tal aconteceu com o MS-DOS, que se chamava Q-DOS (Quick and Dirty Operating System), com o MS SQL (comprado o código da Sybase), com o Frontpage (comprado já a não sei que empresa), com o Internet Explorer (comprado já a não sei quem e que utilizava parte do código do Mosaic), and so on.. Até o próprio Winwdows está longe de ser uma inovação porque o próprio conceito WIMP data de inicios da década de 80 e foi criado no XEROX Parc, tendo sido adoptado muito antes pela Apple, Commodore e pela Atari.. só em 95 é que a Microsoft lançou um sistema operativo que tivesse as capacidades que outros sistemas operativos tinham aos anos. E mesmo assim os sistemas operativos da Microsoft estão longe da reliabilidade do Unix, nos quais o uptime dos servidores se mede em anos.
Portanto ao contrário do que afirma o "aguenta os cavais" produtos melhores que os da Microsoft são coisa que não falta.. e se a Microsoft por questões conjunturais conseguiu ter o monopólio do mercado de desktop, tal está muito longe de ser verdade no mercado de servidores. E se falar-mos então em servidores web, o mais utilizado (e com uma quota de mercado superior a 60%) é o Apache, que ainda por cima é software livre.
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