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Subject: Re:O ALTERMUNDIALISMO..


Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 19/10/04 15:26
In reply to: Luis Blanch 's message, "Os Tempos são Outros..." on 18/10/04 10:54

>A implosão da URSS e da generalidade do campo
>socialista não só fez ruir um (o) modelo
>socialista de sociedade mas reforçou a ofensiva
> neoliberal que, sob a capa da "globalização" ,
>tem conduzido ao desmantelamento do parque
>industrial público ,desregulamenta e precariza as
> relações laborais ,liberaliza os fluxos de
>capital e privatiza serviços e bens essenciais ; ao mesmo tempo consolida-se e expande-se a ideia de uma alternativa credível para o sistema capitalista.

José fernandes Fafe,ex embaixador português em Cuba, formula num seu artigo no D.N. a pergunta se tal é possível hoje, se hoje há uma alternativa ao capitalismo ?
Ele avança com as diferentes propostas ,todas sectoriais ,dos altermundialistas ,posições que, a serem ganhas poderiam fazer inflectir as decisões das instâncias do capitalismo (a regulação dos fluxos financeiros, a mitigação das trocas desiguais ,a eliminação da dívida do Sul, um crescimento económico sustentado ...) Mas, a ser assim já não seria este capitalismo,será outra coisa... e pergunta Fafe , o que será ?
Nós , com ele , continuamos a interrogar , outro capitalismo menos arrogante ,menos seguro ,menos impiedoso ? Pensamos ,penso, ser possível com lutas parciais continuadas e organizações políticas que saibam ,nas diferentes situações e cicunstâncias ,interpretar e conduzir essas reivindicações para objectivos mais solidários "descobrindo" formas novas de organização social.

Não parece para já possível ,modificar a essência do capitalismo porque resulta da sua própria génese a rapacidade e o seu carácter implacável .
Que nos diz a nova geração alemã de quadros saída das "business schools" americanas e que trazem as terapeuticas económicas nas suas malas ? Que não se pode ser competitivo com estes salários e estes encargos sociais , com esta pesada fiscalidade, com a co-gestão que afasta o investimento estrangeiro...

Assim , a própria social-democracia , com o seu modelo social renano não resiste às modificações ,assinala Fernandes Fafe, e aceita as críticas de liberais e conservadores visando o desmantelamento das conquistas sociais.

Que alternativa ? Para aqueles que não prevêem um regresso impossível aos modelos do passado e estão inconformados com a dicotomia insuportável de dois modelos do capitalismo :o "estado-unidense" e o "renano" é o apoio às lutas sociais ,mas sectoriais , dos que opôem ao imperialismo mundialista,global , os altermundialistas.












>
>
>neste contexto , que é urgente quebrar o
>lastro cultural e político relativamente a
>formalismos teóricos ,a modelos que foram
>contextualizados e responderam a situações
>objectivas que, de certo modo , como refere
>Ângelo Novo numa expressão feliz ,eram " um
>sarro acumulado que será difícil de limpar por
>completo ..."
>
>O carácter não dogmático dos ensinamentos de
>Marx e a própria dialéctica leninista permitem
> enfrentar e formular as novas abordagens
>teóricas , novas respostas , sem complexos
>abjuratórios de um revisionismo teorizante .
>
>A explicação para os grandes desajustamentos
>teóricos , que se traduzem na pouca
>ressonância a propostas de alterações
>politico-sociais, poderá decorrer dessa
>descontextualização formal, de uma desafectação
>das massas populares , daquilo a que se
>poderia classificar de " desinteresse..." de
>"apatia " mais do que uma deserção cívica...
>
>
>
>
>
>
>
>
>
>>
>>Tomei a iniciativa de trazer este artigo aqui para o
>>Fórum dotecome porque me parece muito bom, bastante
>>pertinente e merecedor de reflexão e discussão.
>> Toca naquele que será, em grande medida, no meu
>>modesto ver, o problema chave para o comunismo actual:
>>ultrapassar, ainda pois, concepções teóricas marcadas
>>pelo estalinismo; recuperar as anteriores concepções
>>comunistas que o estalinismo reprimiu e, em grande
>>medida, conseguiu apagar; ultrapassar visões
>>idealistas, nomeadamente acerca de Lénin, do partido
>>bolchevique e da revolução de Outubro. Resumindo: há
>>que superar a tremenda debilidade ideológica
>>(expressão utilizada por Julio Anguita em finais de
>>1989) e o descrédito em que caiu o comunismo.
>>Escalpelizar a história da União Soviética e das
>>outras experiências falhadas de construção do
>>socialismo que ela influenciou é fundamental. No
>>sentido de tornar claro, como dizia Luís Sá, que não é
>>em concepções sectárias e autoritárias, de limitação
>>de liberdades e direitos que radica a essência do
>>comunismo - antes muito pelo contrário. Ou seja: o
>>chamado socialismo real não foi (nem os seus
>>resquícios são) socialismo. E esclarecer ainda como é
>>que em nome de um ideal tão justo e libertário se
>>cometeram monstruosidades - para que nunca mais se
>>repita e esclarecer os caminhos efectivos para a
>>transformação da sociedade e a construção do
>>socialismo.
>>
>>Tenho no entanto a apontar a este artigo de Paulo
>>Fidalgo um erro que me parece fundamental. A dada
>>altura refere divergências que teriam sido dirimidas
>>ainda em ambiente de democracia partidária no início
>>da década de 1920 e que deram depois azo à emergência
>>de Estaline. Enfim trata-se uma visão semelhante à
>>que outro dirigente da Renovação Comunista, Edgar
>>Correia, apresentou numa algo recente entrevista ao
>>Diário de Notícias: que no final dos anos 20 do século
>>passado se deu uma degeneração do PCUS.
>>Assim até parece que o estalinismo nasceu de geração
>>espontânea!... O que Paulo Fidalgo chama de democracia
>>partidária era mais uma oligarquia pluralista, num
>>partido deformado pela guerra civil e pela degradação
>>social da Rússia... um partido literalmente de guerra,
>>de uma guerra onde ia sendo aniquilado... centralizado
>>e militarizado - muito mais do que durante a
>>clandestinidade. E o Estaline? Não era, desde 1912
>>membro do restrito comité central no interior da
>>Rússia? No início da Revolução de 1917 até era um
>>moderado defensor de uma revolução
>>democrático-burguesa... Durante a Revolução de Outubro
>>terá tido um papel mais relevante do que Bukarine...
>>Os líderes intelectuais bolcheviques continuavam a
>>discutir ideias... mas Estaline era mais próximo das
>>camadas intermédias do partido, menos dotadas
>>teoricamente, um tanto alheadas das discussões
>>teóricas, militarizadas numa guerra fraticida e numa
>>sociedade em decomposição. O partido tinha no início
>>de 1917 uns 25 mil membros. Finda a guerra civil terá
>>um milhão ou perto disso. A maior parte aderiu ao
>>partido durante a guerra civil, marcados, formados por
>>esta. Nunca tiveram tempo nem formação para estudar
>>marxismo. Sobreviveram. Querem viver. A ‘oposição de
>>esquerda’, nomeadamente Trotski não queria acabar com
>>a NEP. Pretendia a industrialização simultaneamente
>>com a NEP. A colectivização dos campos era necessária.
>>O capitalismo rural (produção para o mercado)
>>mitigara-se banstante com a revolução e a guerra.
>>Propriedades muito pequenas, sem meios técnicos
>>modernos etc. Para Trotski, a colectivização era para
>>ser induzida económicamente e pelo exemplo de
>>cooperativas pioneiras. Estaline só abandonou a NEP
>>numa situação de crise ( os camponeses recusavam-se a
>>vender produtos agrícolas para as cidades, ameaça de
>>fome nas cidades) O regime fundara-se com o apoio da
>>classe operária urbana mas era estrangeiro no
>>campesinato - a esmagadora maioria da população. Outro
>>factor a ter em conta nisto tudo é o isolamento da
>>revolução num só país e perante a hostilidade e ameaça
>>de guerra das grandes potências. Estaline foi um
>>tirano, assassino em massa. Mas não nasceu assim.
>>Foi-se fazendo. E o período que antecedeu a sua
>>ascensão à liderança do regime... já era uma ditadura
>>de partido único, um regime autoritário que governava
>>sem o apoio e a legitimidade da esmagadora maioria da
>>população, que de modo algum era imune à interacção
>>com a sociedade - e à profunda regressão que esta
>>conheceu com a guerra civil.
>>Resumindo, penso que Paulo Fidalgo não tem em devida
>>conta as transformações operadas na sociedade e no
>>próprio partido. E idealiza o partido no período
>>anterior à ascensão de Estaline.

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Replies:
Subject Author Date
Re: Os Tempos são Outros...Luís Carvalho 3/11/04 11:16


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