| Subject: A Santa Aliança |
Author:
Cidadão Comum
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Date Posted: 6/09/04 16:08
In reply to:
António Fagundes
's message, "Para o caso de não ter pensado" on 6/09/04 14:08
Senhor Fagundes,
em primeiro lugar lamento constatar que, ao contrário do que vem sendo habitual, o senhor começa a argumentar sobre assuntos que domina mal:
- A legislação actual prevê que toda a carreira contributiva seja considerada para efeitos de cálculo do montante da reforma (excepto para os beneficiários que se encontram em regime de transição).
- Quando há muitos anos eram considerados só os ultimos 5 anos (depois disso também já foram os ultimos 10), e isto esqueceu-se o senhor Fagundes de referir, não havia qualquer correcção da inflação
Ao contrário do que pensa (e diz) o senhor Fagundes o novo regime não é pior para os trabalhadores do que os anteriores. Passo a explicar:
- No tempo em que se considerava só os últimos cinco anos, época de altas taxas de inflação, tal média era verdadeiramente desastrosa
- Os regimes antigos beneficiavam a golpada de muitos (normalmente comerciantes) que passavam a vida a descontar pelos mínimos e nos ultimos 5 anos descontavam "por cima" para ficar com uma reforma de luxo.
- Prejudicava todos os que, não tendo feito ascenções meteóricas e tendo que trabalhar até muito tarde, eram reformados de acordo com os ultimos anos da carreira, quando já estavam na "prateleira" e ganhavam muito menos do que no resto das suas carreiras.
Por tudo isto, e o mais que não tenho agora pachorra para escrever, resulta que o senhor Fagundes ao falhar a recepção da bola, por falta de técnica, rematou para as núvens desperdiçando uma boa oportunidade para estar calado.
Não quero dizer com isto que não concordo com uma parte das afirmações do senhor Fagundes mas escapa-lhe percepção do essencial.
Por exemplo gostaria que reconhecesse que grande parte dos que se aposentam na Administração Pública:
- estiveram durante grande parte da sua vida isentos de impostos e contribuiram de forma muito menos intensa para o seu sistema de pensões do que no sector privado
- recebiam reformas de 100% do ultimo vencimento quando no sector privado o máximo a que se podia aspirar era 80% de uma média que em muitos casos correspondia já a 60% do ultimo vencimento (80% de 60% = 48%).
O que me faz falar é a invocação matreira do "Estado Social" para encobrir situações de previlégio e fingindo que a fuga ao fisco de empresários e profissões liberais não existe.
Trata-se de uma política de classe (em que se aliam os empresários, os funcionários e as profissões liberais) e cujas vítimas são:
- os trabalhadores por conta de outrem que pagam o sistema
- os idosos reduzidos à miséria pelas baixíssimas reformas
- os cidadãos em geral pelas enormes deficiências dos serviços públicos.
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