| Subject: Re: Que fazer? Continuar a luta! Acabar com ingerências! |
Author:
Luís Carvalho
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Date Posted: 13/07/04 23:05
In reply to:
João Lopes
's message, "Que fazer? Continuar a luta! Acabar com ingerências!" on 13/07/04 21:02
Caríssimo João Lopes.
Muito lhe agradeço por ter voltado a valorizar a minha pessoa, nomeadamente ao conceber-me com capacidades conspirativas...
Ah, e terei eu mentalidade elitista? Nesse caso estarei fazendo companhia aos dirigentes do PCP, elitistas a ponto de não admitirem correr o risco de ser apeados do poder pelos militantes - e que fazem do voto secreto um atentado à identidade comunista...
Bom, a minha pessoa não me interessa minimamente aqui mas sim o debate de ideias - que é um prazer travar com o caríssimo João Lopes.
Trabalhei na fábrica da Wolkswagen em Palmela. E uma coisa que eu e meus colegas ali ouviamos amíude era que tinhamos de trabalhar mais e sermos mais produtivos. Caso contrário, seria a fábrica fechada e reaberta num outro país, eventualmente não só com uma mão de obra mais barata mas também mais qualificada - num país do leste europeu, por exemplo.
Ali têm-se ficado pela ameaça. Mas em inúmeras fábricas por esse Portugal fora a opção tem sido outra... Há uns dois anos atrás, fechou aqui em Rio Maior uma fábrica de calçado, cujos propietários, italianos, a encaixotaram rumo à Lituânia, lançando no desemprego mais de uma centena de trabalhadores.
Meu caro amigo, o nosso país não se safa apostando numa mão de obra barata. Haverá sempre um país do terceiro mundo com uma mão de obra mais barata. Não podemos competir com critérios terceiro-mundistas!...
Neste actual quadro da globalização capitalista neo-liberal vamos encontrar dois países entre os mais bem sucedidos, a Suécia e a Finlândia. Eles não apostam numa mão de obra barata. Têm pelo contrário dos melhores níveis de vida do mundo. Como conseguem? Nomeadamente, tendo uma mão de obra das mais qualificadas e produtivas do mundo!
A fábrica da Wolkswagen continua em Palmela porquê? Uma das razões principais é ser uma das mais produtivas fábricas da Wolkswagen. E isso pela aposta que faz na formação e pela adesão e empenho dos trabalhadores nessa formação e no trabalho.
Apostar numa mão de obra mais qualificada é um vector central para um verdadeiro desenvolvimento económico do nosso país.
E uma mão de obra mais qualificada pode ser uma coisa bastante distinta de uma elitista colecção de doutores... provavelmente infectados com algum vírus pequeno burguês...
A qualificação, a capacidade de produzir riqueza é um factor de força para a classe trabalhadora. Acho que isto será óbvio. E modo algum atenta contra outros factores de força da classe trabalhadora. Nomeadamente principais como a sua unidade e organização.
Entramos aqui nos sindicatos... Vou tentar exprimir-me melhor desta vez...
Ao defender a independência dos movimentos sociais e dos sindicatos quis dizer o seguinte:
1) Como escreveu Luís Sá no seu manual "Introdução à Ciência Política", os partidos políticos caracterizam-se por lutarem pela aquisição, manutenção e exercício (directo) do poder. Quando houver uma verdadeira alternativa de esquerda, será concebível e natural uma ida do PCP para o governo. Nesse caso não será fundamental que os sindicatos não sejam uns paus mandados de um partido do governo mas sim uma organização representativa, autónoma e independente da classe trabalhadora? Eu penso que sim. E penso e digo isto sem entrar em nenhuma conspiração ou confronto com os estatutos da CGTP ou resoluções aprovadas no seu último congresso...
2)Penso também que seria um factor de fortalecimento dos movimentos sociais e dos sindicatos que no seu seio houvesse menos tricas partidárias como as que dividiram o 1º Fórum Social Português.
Já me alonguei demasiado.
Um abraço e até à proxima.
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