| Subject: Bem dito. Concordo |
Author:
João Laveiras
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Date Posted: 14/07/04 0:27
In reply to:
Luís Carvalho
's message, "Re: Que fazer? Continuar a luta! Acabar com ingerências!" on 13/07/04 23:05
>Caríssimo João Lopes.
>
>Muito lhe agradeço por ter voltado a valorizar a minha
>pessoa, nomeadamente ao conceber-me com capacidades
>conspirativas...
>
>Ah, e terei eu mentalidade elitista? Nesse caso
>estarei fazendo companhia aos dirigentes do PCP,
>elitistas a ponto de não admitirem correr o risco de
>ser apeados do poder pelos militantes - e que fazem do
>voto secreto um atentado à identidade comunista...
>
>Bom, a minha pessoa não me interessa minimamente aqui
>mas sim o debate de ideias - que é um prazer travar
>com o caríssimo João Lopes.
>
>Trabalhei na fábrica da Wolkswagen em Palmela. E uma
>coisa que eu e meus colegas ali ouviamos amíude era
>que tinhamos de trabalhar mais e sermos mais
>produtivos. Caso contrário, seria a fábrica fechada e
>reaberta num outro país, eventualmente não só com uma
>mão de obra mais barata mas também mais qualificada -
>num país do leste europeu, por exemplo.
>
>Ali têm-se ficado pela ameaça. Mas em inúmeras
>fábricas por esse Portugal fora a opção tem sido
>outra... Há uns dois anos atrás, fechou aqui em Rio
>Maior uma fábrica de calçado, cujos propietários,
>italianos, a encaixotaram rumo à Lituânia, lançando no
>desemprego mais de uma centena de trabalhadores.
>
>Meu caro amigo, o nosso país não se safa apostando
>numa mão de obra barata. Haverá sempre um país do
>terceiro mundo com uma mão de obra mais barata. Não
>podemos competir com critérios terceiro-mundistas!...
>
>Neste actual quadro da globalização capitalista
>neo-liberal vamos encontrar dois países entre os mais
>bem sucedidos, a Suécia e a Finlândia. Eles não
>apostam numa mão de obra barata. Têm pelo contrário
>dos melhores níveis de vida do mundo. Como conseguem?
>Nomeadamente, tendo uma mão de obra das mais
>qualificadas e produtivas do mundo!
>
>A fábrica da Wolkswagen continua em Palmela porquê?
>Uma das razões principais é ser uma das mais
>produtivas fábricas da Wolkswagen. E isso pela aposta
>que faz na formação e pela adesão e empenho dos
>trabalhadores nessa formação e no trabalho.
>
>Apostar numa mão de obra mais qualificada é um vector
>central para um verdadeiro desenvolvimento económico
>do nosso país.
>
>E uma mão de obra mais qualificada pode ser uma coisa
>bastante distinta de uma elitista colecção de
>doutores... provavelmente infectados com algum vírus
>pequeno burguês...
>
> A qualificação, a capacidade de produzir riqueza é um
>factor de força para a classe trabalhadora. Acho que
>isto será óbvio. E modo algum atenta contra outros
>factores de força da classe trabalhadora. Nomeadamente
>principais como a sua unidade e organização.
>
>Entramos aqui nos sindicatos... Vou tentar exprimir-me
>melhor desta vez...
>
>Ao defender a independência dos movimentos sociais e
>dos sindicatos quis dizer o seguinte:
>
>1) Como escreveu Luís Sá no seu manual "Introdução à
>Ciência Política", os partidos políticos
>caracterizam-se por lutarem pela aquisição, manutenção
>e exercício (directo) do poder. Quando houver uma
>verdadeira alternativa de esquerda, será concebível e
>natural uma ida do PCP para o governo. Nesse caso não
>será fundamental que os sindicatos não sejam uns paus
>mandados de um partido do governo mas sim uma
>organização representativa, autónoma e independente da
>classe trabalhadora? Eu penso que sim. E penso e digo
>isto sem entrar em nenhuma conspiração ou confronto
>com os estatutos da CGTP ou resoluções aprovadas no
>seu último congresso...
>
>2)Penso também que seria um factor de fortalecimento
>dos movimentos sociais e dos sindicatos que no seu
>seio houvesse menos tricas partidárias como as que
>dividiram o 1º Fórum Social Português.
>
>Já me alonguei demasiado.
>
>Um abraço e até à proxima.
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