| Subject: Re: Que fazer? Continuar a luta! Acabar com ingerências! |
Author:
João Lopes
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Date Posted: 14/07/04 0:49
In reply to:
Luís Carvalho
's message, "Re: Que fazer? Continuar a luta! Acabar com ingerências!" on 13/07/04 23:05
Ontem quando lhe respondi, tinha lido o seu texto pela rama. Hoje relendo-o (o texto de ontem) descubro que o ataque que desferiu não foi só contra os sindicatos.
Foi igualmente contra partidos da oposição e particularmente contra o PCP. Aliás no seguimento do que já vinha subentendido no texto do Daniel Oliveira, cuja leitura recomendou. E onde este lembra que saíu “do PCP em 1989 (...) pela linha reformista” e que desde então se coloca “nesse espaço amplo e pouco claro que é o da social-democracia”.
Ora sei pela observação do que faz o Bloco e do que os seus dirigentes dizem, que fazem o contrário do que apregoam. Por isso quando V. diz que está na altura de “apontar os canhões” para a construção duma alternativa”, traduzo por miúdos que a guerra contra o PCP vai engrossar.
Mas agora o Luís explicita melhor o seu pensamento em relação à conquista do poder e à relação do poder com os sindicatos. E mantenho divergências em relação a ambas. Vejamos diz: “Quando houver uma verdadeira alternativa de esquerda, será concebível e natural uma ida do PCP para o governo”. O que quer dizer com “alternativa de esquerda”?. È que o PCP diz que é a alternativa de esquerda, o PS também diz o mesmo e até já o BE o reivindica. E até há neste fórum quem confunda alternativa de esquerda com convergência de esquerda. Na nossa história recente só se conseguiu uma convergência de esquerda (que foi igualmente uma alternativa) em Lisboa quando o Sampaio então SG do PS precisou de ser eleito Presidente da Câmara e para o ser teve de se entender com o PCP. Sabemos que em política esta é a realidade – por isso o PCP sempre defendeu que para se atingir uma verdadeira alternativa de esquerda importa em primeiro lugar reforçar o PCP – só assim teremos peso para negociarmos. Continua a ser esta a nossa posição. Ao contrário do que nos acusam nunca rejeitámos a possibilidade de discutir com o PS todas as questões. Como já expliquei antes eles é que têm fugido de quaisquer conversações/entendimentos/ acordos.
E veja Luís ainda estamos a marcar passo neste ponto (ainda e desde à 28 anos). E com o que se passa actualmente no PS iremos estar mais algum tempo, pelo menos até a questão da sua liderança se clarificar. E entretanto há que continuar a apresentar propostas, a intervir, a mobilizar para a luta contra o governo da coligação. Mas o que faz o Luís? Nesta altura onde o Governo da coligação de direita ainda nem sequer tomou posse o Luís já está a teorizar sobre como agir com os sindicatos quando o PCP estiver no poder!
O Luís sabe que o PCP age por princípios. Se agora a CGTP tem toda a liberdade e autonomia para agir como entende porque é que haveria de ser diferente se o PCP fosse para o poder? O Luís sabe como correu o congresso da CGTP. Sabe que as decisões que lá foram tomadas o foram em liberdade. Sabe que quem tentou modificar determinadas características da actuação da CGTP foi derrotado. É natural, foram a votos e perderam. Não gostaram e vieram intrigar para os jornais.
Tudo isso se percebeu. Como também se perceberam as movimentações quando do Fórum Social Português. Que também vieram nos jornais. E também aí quem quis instrumentalizar acusou os outros de instrumentalização. E quem escreveu no Público sobre o Congresso da CGTP e sobre o Fórum Social foi o bloquista Nuno Sá Lourenço...Como também quem escreveu por exemplo na Visão sobre o Fórum foi o Boaventura ou no DN foi o Miguel Portas, ou na Capital foi o Nuno Ramos de Almeida.
A conjuntura não tem sido nada fácil para o PCP. E pelo menos devemo-nos interrogar o porquê do silenciamento sistemático que nos fazem nos media e o porquê do puxarem os bloquistas constantemente para o palco. Ainda hoje, não sei se reparou, na apresentação do Durão aos deputados dos grupos socialistas e da esquerda unitária até a RTP (que tinha a obrigação de ser isenta) só ouviu o António Costa e o Miguel Portas! Quando toda a gente sabe que nunca a Ilda fica calada! Mas até a Ilda eles silenciam, não a mostrando.
Isto vai longuíssimo, amanhã é o último dia de trabalho e depois vou de férias, para longe de Internet, jornais, TV. Espero descobrir novas realidades e lá para Agosto continuaremos por aqui neste e noutros debates.
Boas férias!
PS: E já me esquecia de referir o que disse sobre qualificação, produtividade, etc. De facto no 1º texto o Luís não se explicou bem, fez uma amálgama que me levou a conclusões erradas. Fará a justiça de pensar que o PCP e a CGTP neste aspecto não divergem do que disse. Pelo contrário, basta consultar o site do PCP, a acção dos seus deputados (AR, PE) e dos seus dirigentes para saber das suas propostas nesse sentido.
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