| Subject: o compromisso com os 9 era e é certamente necessário! |
Author:
paulo fidalgo
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Date Posted: 12/12/04 17:10
In reply to:
Ângelo Novo
's message, "Re: rendição ao grupo dos 9" on 12/12/04 11:50
A necessidade de formar um compromisso com os 9, cujo desenho não viu a luz do dia, afigurava-se necessário e continua a afigurar-se necessário.
Ele teve oportunidade de ser consagrado com Carlos Fabião, com Pinto Soares, ou por seu intermédio, e fazia todo o sentido, desde que, sobre o programa político houvesse ideias. O PCP não me lembro de as ter formulado com nitidez.
A sua não concretização, desse acordo, é que levou as coisas ao resultado que levou.
Na ausência de acordo jogaram divisões militares e civis, e em particular as divisões entre 9, esquerda militar e copcon. E no plano civil, entre o PS e o PCP.
Eu penso que o PCP diagnosticou bem a posteriori a falta desse acordo mas nunca se percebeu qual foi a actuação táctica concreta naqueles dias.
O General Vasco Gonçalves é o maior ícone da revolução e isso nunca ninguém lhe retirará. Mas a sua actuação nesta matéria de cerzir uma base de apoio militar e civil a uma solução é com certeza passível de discussão.
Eu concordo com a ideia de que faltavam ideias de fundo para o rumo da revolução e que se decalcava muito da URSS. Mas essa ambiguidade estratégica, não deixa de suscitar qual foi a actuação táctica concreta.
Quanto à frente PCP-grupos esquerdistas, é uma evidência que ela não representava uma força suficiente nem uma força com capacidade de alargar a base de apoio, nem uma ideia consistente para a revolução.
Quanto á ideia de a revolução ser olhada com etapas mais ou menos estanques de progressão, por Álvaro Cunhal e pelas teses originais do 7ª congresso da Internacional de 1935 de Dimitrov, eu acho que o assunto não pode ser descartado assim.
Definir programas intermédios é precisamente uma das áreas mais importantes da condução política e dos compromissos.
O drama das divisões militares e civis é que as divisões pré-25 de Novembro foram rapidamente reconciliadas no pós-25 de Novembro mas aí já nada havia a fazer
Um novo avanço revolucionário em Portugal depende precisamente da retoma das negociações interrompidas ou falhadas naqueles meses que precederem o 25 de Novembro. Se elas forem retomadas e refeitas, haverá com certeza base para novos avanços
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