Author:
Guilherme Statter
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Date Posted: 2/12/04 18:53
E para ajudar às várias eleições... Vem tambem o "referendo". O pessoal agora até nem se vai preocupar muito com isso (há coisas mais urgentes aqui em casa), mas mesmo assim aqui vão algumas reflexões avulsas.
É compreensível, até de um ponto de vista ideológico progressista, a posição dos diversos PC’s da Europa, contra este Tratado Constitucional da EU.
São múltiplas as referências ao “mercado” e à concorrência e pouquíssimas as referências aos problemas do mundo do trabalho.
Entretanto, tanto quanto eu saiba (mas também só tive ocasião de ler e rever algumas declarações de diversos PC’s e extractos de declarações avulsas em reuniões do GUE/NGL ) ainda não encontrei qualquer referência a uma alegada “deriva federalista” (o que quer que seja que isso queira dizer...) tal como “denunciada” pelo nosso PCP.
O que tenho encontrado são diversas referências a três pilares do Imperialismo: os EUA, a União Europeia e o Japão. Em particular a referência à OTAN-NATO e à sua “inclusão” no capítulo da Defesa no novo Tratado Constitucional.
Só isso será uma boa (excelente) razão para votar NÃO no Referendo.
Devemos também considerar que o combate contra o Imperialismo, não é um combate Inter-nações ou mesmo entre conjuntos de nações.
Ou seja, não se combate o Imperialismo combatendo uma eventual Federação Europeia.
Combate-se o Imperialismo tentando alcançar e consolidar posições de poder no âmbito nacional (qualquer que ele seja) em que cada um de nós esteja apto a actuar. Diria Gramsci (vá lá uma de erudição...).
Assim sendo, quer-me parecer que é mais fácil ou mais viável a quaisquer anti-imperialistas alcançar posições de poder na Europa, do que nos EUA.
Como o Tratado Constitucional é apenas mais um passo num processo histórico (dificilmente) reversível, a maior facilidade (estrutural e conjuntural) de alcançar o poder político na Europa do que nos EUA, é capaz de ser uma boa (excelente) razão para votar SIM no Referendo.
Por outro lado, vem no Tratado uma explícita referência à elaboração de uma Defesa comum. Se a isso juntarmos a consolidação de uma agência (e de uma industria) dedicada ao desenvolvimento de armamento autónomo europeu, então se calhar teríamos aí uma boa razão para votar SIM.
E agora vem um remoque sarcástico e provocatório relativamente a alguns militantes do PCP (mas não só!) que aqui ou ali acham que o desenvolvimento de uma industria de armamento é um perigoso aprofundar de tendências militaristas. O remoque tem a forma de pergunta: “Então e quando a URSS fazia gala de mostrar as novas e novíssimas armas”? Como diria o falecido Presidente Samora Machel, não são as armas que são “imperialistas”.
Temos também a considerar a quase irrelevância de cada uma dos referendos nacionais, na medida em que o resultado final e global estará sempre refém do resultado negativo de um só país.
Segundo consta (...) basta que um país diga NÃO, para voltar tudo à estaca zero. Que é como quem diz, à situação actual. Por outras palavras, não valerá a pena a gente estar-se aqui a chatear com debates e esclarecimentos (em Portugal), porque a coisa vai-se mesmo é decidir entre os Britânicos, eh eh eh
Na últimas sondagens parece que o NÃO está a ganhar... Mas nunca se sabe, com a lábia do Blair!
Em todo o caso, o melhor que podia acontecer ao processo da construção da “casa comum europeia” (leia-se “FEDERAÇÃO EUROPEIA”), seria mesmo o NÃO dos Britânicos.
E um NÃO só deles!!!...
Era lógico, era natural e de encontro ao curso quase milenar da História Ocidental.
Ficavam as coisas mais claras e os Europeus (até os gajos – os Ingleses - se referem ao
resto do maralhal como “a Europa”) podiam então recomeçar de novo o processo de construção.
E ai viriam certamente ao de cima as diferenças entre os respectivos sistemas sociais e económicos. Diferenças entre os “continentais” (os “europeus”) e os “ilhéus” (os “britânicos”).
Moral da estória, cá por mim, no meio disto tudo, sou capaz de votar NULO. Mas estou aberto a que me convençam a votar Não.
Ou Sim. Como dizia uma amiga militante do PCF, “mais vale um pássaro na mão...”.
Mas para já não me convenceu.
Cordiais saudações,
Guilherme Statter
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