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Subject: Re:O" Museu Da História"


Author:
Ângelo Novo
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Date Posted: 24/11/04 14:45
In reply to: Luis Blanch 's message, "Re:O" Museu Da História"" on 24/11/04 12:23

Caro Luís,

Eu creio não estar a fazer nenhuma aplicação mecânica do marxismo (também gosto de Lenine, não gosto é do hífen, já o disse).

Eu só estou a dizer: o capitalismo vai ser derrubado através de uma... revolução. Ou melhor, com toda a probabilidade, um ciclo de revoluções (esperemos que não de guerras, também, mas não se pode excluir) ao longo para aí de um século ou mais. Esperemos que haja muitas revoluções de veludo, com toda a gente a passar-se para o nosso lado (polícias, militares) e com muita festa, muitas flores à mistura. Esperemos. Mas, à escala de todo o planeta, vai haver episódios de violência com certeza, porque haverá uma resistência feroz da burguesia, esperemos que localizada.

Quando, na civilização ocidental, houve a transição para o regime político de dominação burguesa, também houve um longo ciclo revolucionário, em que Portugal participou modestamente com as suas lutas liberais.

É esta a minha aplicação "mecânica" do marxismo, se quiseres. Acho que para fazermos uma transição, agora à escala planetária, para um outro modo de produção que supere o capitalismo, vamos ter um ciclo de revoluções sociais e políticas.

Pode ser que não haja, mas então essa transição não vai ter muito a ver com o marxismo. Ou melhor, o marxismo não vai ter muito a dizer sobre ela. Nessa altura (e aí sim) podemos mandar Marx (e o Lenine vai atrás) para o museu da história (e da teoria sobre a história). A minha convicção, como marxista, é que as coisas se vão passar como disse atrás.

Não sei onde vão começar estas revoluções nem onde vão acabar. Se na periferia, se no centro, etc.. O que sei é que, para fazer um ciclo de revoluções, é preciso fazer muitas revoluções pequeninas, e uma também aqui em Portugal.

É claro que podemos ir de "boleia". Pode haver um vaga geral na Europa e isto aqui ir de arrastamnento sem ser preciso fazer grande coisa. Portugal é um país levezinho e, no âmbito de um movimento histórico de âmbito mundial, com uma penadazinha a Maria vai com as outras.

Mas eu acho que o nosso dever como revolucionários é constituir aqui um partido apto a conduzir esse processo.

Eis quanto à minha aplicação "mecânica" do marxismo.

Quanto ao mais, actores, alianças, organização, estratégia, táctica, etc., tudo mudou, como é evidente, e tudo tem que ser reavaliado. Há que fazer uma análise objectiva das situações objectivas. Sobre isso não podíamos estar mais de acordo.

Mas o que nós estávamos a discutir, se bem te lembras, é se vamos a isso ou não. Se encaramos ou não esta tarefa.


Ângelo Novo






>>Ângelo : Claro que a persistência na adopção de
> formas de luta ,quando em contextos bem
>caracterizados , se mostra inadequada e suicidária
>, porque esse voluntarismo se substituio à
>análise ponderada das situações objectivas , é
>muito provável que esses combates desemboquem em
> estrondosos fracassos.
>
>Ao confundir-se os desejos com a realidade há
>normalmente o perigo de obnubilar a força e a
>implantação do inimigo , nas várias frentes e
>socorrendo-se de todas as armas ao seu
>dispôr.Nunca se deverá , nesse sentido, minimizá-lo.
>
>Não , o marxismo - leninismo não está no Museu
>da História mas a sua aplicação mecânica às
>diversas cambiantes sociais é muito resvaladiça,
>ou pode ser...´Há que fazer uma análise
>objectiva das situações objectivas (Marx dixit).
>
>
>
>
>
>
>
>>Vamos lá a ver se eu te percebo, que me está a parecer
>>que aqui no teu discurso é que há um grande emaranhado
>>de novêlos.
>>
>>Então a revolução proletária está no museu da
>>história, com a roca de fiar e o machado de bronze? É
>>isso? Então com ela está o Marx, o Lenine e todos os
>>partidos comunistas do mundo. Tudo na mesma prateleira
>>e sob o mesma quota de entrada. Não vale a pena andar
>>aí com mais palhaçadas destas, porque isso será um
>>mero tique folclórico e nostálgico para embrulhar
>>projectos políticos oportunistas que nada têm a ver
>>com a emancipação de quem trabalha e produz.
>>
>>Nesse caso, o capitalismo (e com ele o imperialismo e
>>a barbárie da guerra infinita) é o nosso "horizonte
>>histórico inultrapassável". Aliás, tu muitas vezes (e
>>aqui mesmo, uma vez mais) roças essa conclusão, sem lá
>>chegar bem. Não sei porquê. Falta-te coragem
>>intelectual para dar esse passo final? Mas dá-o, que
>>raio.
>>
>>Pronto, não o queres dar, já vi.
>>
>>Mas então diz comigo: RE-VO-LU-ÇÃO. Vá, outra vez. Ao
>>princípio custa um bocadinho, eu sei, mas uma pessoa
>>depois habitua-se. Quando se é já um bocado entradote
>>de idade (não sei se é o teu caso) custa um pouco
>>mais. Vá: RE-VO-LU-ÇÂO.
>>
>>Tens medo de parecer ridículo? Isto já não se usa, não
>>é? Mas vai-se usar outra vez, garanto-te. São assim
>>todas as modas, as intelectuais mais do que todas. Não
>>sei porque raio é que tantos comunistas e
>>revolucionários se deixaram assim intimidar com os
>>sarcasmos da burguesia sobre a revolução histórica.
>>Muita gente ridiculariza a revolução, de facto. E a
>>revolução vai ridicularizá-los a todos...
>>
>>Se continuas com uma resistência invencível, então
>>volta ao terceiro parágrafo acima. Mas decide-te de
>>uma vez, homem.
>>
>>Ângelo Novo
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>>Reina aqui uma grande confusão , um emaranhado
>>>de novêlos que é difícil saber a origem .
>>>O tempo das receitas ,do pronto-a - vestir de
>>>modelos socio-políticos redentores , há muito
>que
>>>figuram no "museu da história " , o tal onde
>se
>>> encontram o machado de bronze e a roca de
>>>fiar.
>>>
>>>Felizmente que não se está grudado a moldes
>
>>>que , com o tempo se empastelaram , fundiram ,
>>>liquefizeram-se ; porque a prática e os
>ensaios
>>> sucessivos a que os homens submeteram
>esses
>>> seus mais generosos anseios encarregaram-se
>de
>>> pôr limites aos resultados obtidos , bem
>>>longe das utopias da perfeição mas de
>qualquer
>>> maneira com o avanço histórico sempre ao
>seu
>>>lado.
>>>
>>>Os Partidos comunistas chamaram a si,
>sobretudo
>>>com Lénin , a condução e direcção de um
>>>grandioso processo emancipatório ,criando com a
>>>revolução de Outubro as condições para novas
>>>formas de organização da sociedade , com as
>>>primeiras experiências de sociedades orientadas
>>>para a construção de uma sociedade de novo
>tipo.
>>>
>>>A projecção mundial destas realizações ,
>>>orientadas e lideradas pelos PCs , mostrou
>>>que as forças que se condideravam serem
>>>portadoras de uma dinâmica própria e o
>grande
>>>factor de avanço histórico do sec. XX eram os
>>>partidos comunistas , as vanguardas da classe
>>>operária.
>>>Esses pressupostos , que o eram (são? )
>obedecem
>>> a conjunturas ,a contextos , a motivações e a
>>>condições concretas muito claras . Continuo a
>>>pensar que a História não é aleatória e está
>>>muito enformada pelos antes e pelas disposições
>>>subjectivas do momento , avançando muito
>>>rápidamente...
>>>Os PCs. sempre que as condições concretas da
>>>Humanidade , os factores objectivos e
>>>subjectivos se mostrarem susceptíveis de darem
>>>coesão e continuidade às lutas , terão a
>sua
>>> razão para existirem...
>>>

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Subject Author Date
Re:O" Museu Da História" - Já agora (meter uma colherada)Guilherme Statter26/11/04 19:05


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