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Subject: Ao “cidadão comum”


Author:
Jorge Nascimento Fernandes
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Date Posted: 9/09/04 15:53
In reply to: Cidadão Comum 's message, "Função Pública torra 80% dos impostos" on 4/09/04 10:57

Ao “cidadão comum”

Tenho seguido este fórum desde o princípio. No início, como o próprio nome indicava, já que se fazia referência à realização de um novo Congresso do PCP, era unicamente uma discussão entre renovadores comunistas e “ortodoxos”, em que estes, conforme as épocas, lutavam para tentar ocupar todo espaço disponível. Ainda recentemente, quando das eleições europeias, a ofensiva dos “ortodoxos” contra o Bloco de Esquerda teve aqui um campo privilegiado. Mas, ou por estarem a discutir as teses do “seu” Congresso ou porque cada vez são menos para todo o serviço, a verdade é que abandonaram este campo de luta.
Assim, esse espaço foi preenchido por alguns intervenientes que neste momento nada têm a ver com o marxismo, nem com o movimento comunista e que permitem, bem ou mal, exercitar alguns comentários fora do nosso universo previamente balizado.
No entanto, sempre entendi que esta nossas discussões se limitassem às pessoas de esquerda, que, para lá das diferenças de “visão do mundo”, é a palavra que me ocorre, alinham pelo menos por aquele lado.
Vem isto a propósito de aparecer aqui alguém que se denomina “cidadão comum” e que, pela prosa anexa, imagino que nada tem ver com a esquerda e que reflecte, sem o dizer claramente, os pontos de vista da direita. Podemos, no entanto, estar perante algum interveniente mais “engraçadinho” que se está a divertir com todos nós. Partamos do princípio que todos intervêm aqui de boa-fé e respondamos à letra.
A denominação de “cidadão comum”, que alguns intervenientes acham um nome lindo, não é estranha aos movimentos de extrema-direita na Europa. Sem remontar ao fascismo, que na prática se dirigia ao “homem comum” e apelava àquilo que mais recalcado havia nele, já nos anos 50 se desenvolveram na Itália e em França dois movimentos que se dirigiam especificamente a este tipo de cidadãos, que mais tarde Spínola, em Portugal, chamou de “maioria silenciosa”. O nome do movimento italiano, cuja tradução para português era de “O homem qualquer” (L'uomo qualunque), fundado em 1946 por Guglielmo Giannini (1891-1960), já era significativo a que tipo de cidadão ele se dirigia. Em França, foi dirigido por um político, muito apreciado pelo salazarismo, chamado Pierre Poujade (1920-2003), que deu origem, em 1954, a um movimento dos “comerciantes e dos artesãos”, que ficou conhecido como o “poujadismo” e que era igualmente dirigido ao homem comum.
Pelos visto o nosso “cidadão comum” está muito bem acompanhado na sua procura de reflectir o que o homem comum gosta de pensar sobre os funcionários públicos, as corporações que “mandam” neste país: Sindicato dos Professores, Ordens e Sindicatos de Médicos, de Juizes, de Advogados e “tutti quanti”. João Jardim nos seus ataques a “pides e bufaria” não anda muito longe deste pensamento.
Dirão que estou a ser injusto. Que estou a afastar quem tão lidimamente participa neste fórum. Não é essa a minha intenção, mas não gostaria fechar os olhos a uma argumentação que introduz neste fórum, mesmo que encapotadamente, as posições da direita.
Como esta intervenção já vai longa, numa próxima farei uma crítica mais directa ao nosso interventor.

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Replies:
Subject Author Date
Re: Ao “cidadão comum”Guilherme Statter 9/09/04 17:57
Re: Ao “cidadão comum”Cidadão Comum 9/09/04 21:18
Re: Ao “cidadão comum”António Fagundes10/09/04 12:03


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