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Subject: Re: Uma nova teoria da exploração?


Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 6/09/04 15:44
In reply to: Guilherme Statter 's message, "Uma nova teoria da exploração?" on 3/09/04 21:19

" Eu só quero entender !? Numa economia industrialmente desenvolvida ,no quadro da economia capitalista uma empresa como ,por exemplo ,A "FIndus" que fabrica ,comercializa, peixe congelado e que se confronta no mercado com,por exemplo, a "Pesca Nova" terão níveis de rentabilidade semelhante , ou ,pelo contrário há que levar em conta outros factores que fazem a diferença ?
E se nesse mercado competitivo e concorrencial encontrarem uma empresa estatal da Rep. Popular da China do mesmo ramo alimentar ? Provavelmente a empresa chinesa vai para o mercado com preços muito abaixo do praticado pelas outras empresas referidas . Não obstante, a sua quota de mercado pode ser inferior . Porquê ? porque apesar dos custos de produção serem inferiores por razões fáceis de adivinhar, a estratégia comercial,a apresentação do produto e a sua implantação nos pontos de venda são, de facto , condicionadores das vendas e,portanto ,das margens de benefício empresarial , mais do que a exploração da força de trabalho ,do trabalho vivo ; o processo produtivo imbrinca-se em todas estas componentes...

P.S. Este exemplo é real
Este exemplo poderá ajudar à compreensão do que se passa em economias em movimento.






Numa resposta a Paulo Fidalgo, diz-nos J.M.Correia o
>seguinte:
>"A minha teoria da exploração não é esta, como está
>bem explícito na minha intervenção, e a resumo
>novamente: na troca, o vendedor de uma mercadoria cede
>a utilidade e o benefício que o comprador obtém com
>ela; a força de trabalho não é factor produtivo
>necessário e suficiente para a produção das
>mercadorias em geral; as mercadorias não são vendidas
>pelos seus valores (marxistas); por muitas razões, a
>força de trabalho é vendida abaixo do valor pela
>relação de forças em que se realiza a sua alienação
>(valor que o Estado burguês se encarrega de não
>permitir que ultrapasse dimensão que ponha em causa
>uma determinada taxa de lucro)."
>Vamos a ver se esta teoria (ainda que resumida, claro)
>se pode analizar e mínimamente discutir:
>
>1. "na troca, o vendedor de uma mercadoria cede a
>utilidade e o benefício que o comprador obtém com ela;"
>Nisto não me parece que haja nada que
>contra-argumentar.
>
>2. "a força de trabalho não é factor produtivo
>necessário e suficiente para a produção das
>mercadorias em geral"
>Aqui já teremos que fazer algumas observações.
>2.A - Hoje por hoje, de facto já não é muito fácil
>imaginar mercadorias produzidas só pela força de
>trabalho. Portanto, é razoável admitir que "a força de
>trabalho não é factor produtivo suficiente". Precisará
>sempre de quaisquer máquinas ou ferramentas.
>2.B - Quanto à afirmação de que "a força de trabalho
>não é factor produtivo necessário para a produção das
>mercadorias em geral", já teremos que expressar
>reservas. Ou pelo menos simples ignorância.
>Pergunta-se então, quais são essas mercadorias que são
>produzidas sem um infinitésimo de força-de-trabalho?
>
>3. "as mercadorias não são vendidas pelos seus valores
>(marxistas);"
>É uma afirmação que, embora requeira demonstração, se
>pode aceitar a título provisório até na medida em que
>o autor se propõe oferecer uma visão alternativa. Em
>todo o caso cabe lembrar que os preços por que são
>vendidas as mercadorias não são (nem deixam de ser
>'marxistas').
>São preços determinados pelas curvas de Oferta e
>Procura prevalecentes em cada mercado concreto. Sendo
>que, na perspectiva marxista esses preços oscilam
>sempre à volta de valores determinados por combinações
>variáveis de diversos tipos de 'capital' e de
>'trabalho'.
>
>4. "por muitas razões, a força de trabalho é vendida
>abaixo do valor pela relação de forças em que se
>realiza a sua alienação (valor que o Estado burguês se
>encarrega de não permitir que ultrapasse dimensão que
>ponha em causa uma determinada taxa de lucro)."
>Para este autor, teremos então que, independentemente
>da forma como é (ou não) determinada o valor da
>força-de-trabalho, esta é vendida abaixo do seu valor.
>Creio que podemos concluir que estaríamos então
>sistemáticamente perante situação de sobre-exploração.
>Isto claro para utilizar a terminologia do marxismo
>clássico. Na medida em que, para o marxismo clássico
>ou ortodoxo, mesmo quando a força-de-trabalho é
>vendida pelo seu exacto valor (de reprodução, etc...),
>mesmo aí há lugar ao processo de exploração.
>O autor remete assim a questão para a "relação de
>forças". Ou seja da intervenção da Política no jogo de
>"oferta e procura" de força-de-trabalho nos mercados
>de trabalho.
>Parece-me pois que J.M.Correia adopta como sua a
>posição dos clássicos da Economia Política (Adam
>Smith, David Ricardo ou John Stuart Mill, entre
>outros, claro), tão claramente criticada (apenas
>naquilo que se impunha) por Karl Marx.
>Estaríamos assim em presença de um "ricardiano"?
>Há muitos e é uma opção que há que respeitar...
>Cordiais saudações,
>Guilherme Statter

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Replies:
Subject Author Date
Re: Uma nova teoria da exploração?António Fagundes 6/09/04 17:47
Re: Uma nova teoria da exploração?Guilherme Statter 6/09/04 19:41


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