| Subject: Re: Um bom partido trabalhista ,Terceira Via? |
Author:
Luis Blanch
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Date Posted: 19/08/04 16:22
In reply to:
Jorge Nascimento Fernandes
's message, "Um bom partido trabalhista I" on 19/08/04 11:36
Meu caro Jorge : Essa do " comunismo marxista ou não" é de cabo de esquadra .
Por outro lado , falares num partido trabalhista "Um bom partido trabalhista " como dizes, no dealbar do sec. XXI ,cheira-me a Giddens ,muito britânico com a sua britânica Terceira Via.
Penso ,sinceramente ,que em Portugal está já tudo equacionado , as cartas estão adequadamente distribuidas de acordo com as realidades concretas e a ideossincrasia do País e que não nos devemos estontear na procura de miríficas "soluções" para caminharmos na rota de objectivos económicos ,sociais e políticos de progresso,tendo sempre em atenção que não nos podemos dissociar dos compromissos europeus de que somos parte .
Compromissos que nos obriga a pugnar por uma Europa dos cidadãos ,contextualizando o aprofundamento de uma solidariedade internacionalista,também e sempre neste contexto .
Porque , apesar da coesão entre os parceiros/membros da U.E. ser uma realidade que ainda não concretiza as possibilidades de uma real integração económica,os problemas,a conflitualidade e as perspectivas de superação são cada vez mais as mesmas , reforçando plataformas de entendimento cada vez mais sólidas...
O Futuro passa por aí.
>
>“Uma rotura com o comunismo (marxista ou não) e a
>tentativa de formação de uma organização
>verdadeiramente trabalhista, na linha de um reformismo
>classista, à moda da velha social-democracia escorada
>no apoio sindical, campo que o PS nunca representou
>(por sempre se ter afirmado e praticado como partido
>inter-classista) e que o BE (apesar do seu eclectismo
>ideológico) e o PCP (pelo apego à ortodoxia comunista
>marxista-leninista) não podem fielmente representar
>mas se esforçam na prática por ir ocupando?”
>
>Um dos males deste tipo de fóruns é de que nunca
>conhecemos os adversários, não sabemos as suas
>filiações ou inclinações políticas, nem sabemos muitas
>vezes se estão a sério ou se querem pura e
>simplesmente tirar nabos da púcara. Se algumas
>afirmações que aqui se fazem servem para
>posteriormente nos confrontarem com elas ou se para
>dizerem que tal e tal Partido disse no passado isto ou
>aquilo. Mas isto faz parte da luta política e portanto
>temos que estar preparados para tudo.
>Vem isto a propósito do debate que aqui estou a travar
>com o António Fagundes, pessoa que eu não conheço e
>que nestas últimas afirmações tem trazido alguma
>contribuição extremamente interessante, apesar de
>muito crítica em relação à RC.
>Iniciei esta minha intervenção com a transcrição de
>uma parte de um dos seus textos, em que pergunta se a
>RC quer ser uma organização verdadeiramente
>trabalhista. Com a sua resposta à minha intervenção
>fiquei com a ideia clara que era isso que queria que a
>RC fosse. É uma opinião e quanto a mim bastante mais
>respeitável do que o bota-abaixo que durante certo
>tempo enxameou este fórum., no entanto, merece
>discussão que ou ainda neste “post” ou num seguinte,
>continuarei.
>Mas passemos aos seus pontos concretos.
>Deixemos a questões dos sites, porque é de somenos
>importância e passemos à substância.
>Quanto às diferenças entre ao RC e o PCP, Fagundes
>parte do princípio que a divergência fundamental é
>relativamente à crítica obreirista que aquela faria a
>este. Partindo deste princípio, elabora uma série de
>considerações sobre a RC. Sem ser porta-voz da RC, e
>muito menos exegeta dos seus textos, e reportando-me
>exclusivamente a afirmações por mim aqui produzidas,
>diria que nunca referi que o PCP tinha entrado numa
>deriva obreirista, mas sim sectária e esquerdizante, o
>que é bastante diferente.
>Por outro lado, num documento que está publicado no
>“dotecome”, em “Textos e Documentos”, desde Junho de
>2002, e da minha autoria, relativo a “Algumas
>reflexões sobre a necessidade de renovação do PCP”,
>que depois transformei, a quando do 1º Encontro da RC,
>em “necessidade de renovação do movimento comunista”,
>formulo aquilo que me separava da ideologia oficial do
>PCP. Sei que nada disto são documentos oficiais da RC,
>mas parece-me abusivo da sua parte dizer que aquilo
>que separa a RC do PCP é exclusivamente a deriva
>obreirista deste que dificultaria a partilha do poder
>com o PS.
>Tem depois esta afirmação de que para “um partido
>leninista, a partilha do poder do aparelho do Estado
>do capital não é um objectivo estratégico mas
>meramente táctico, que não pode sacrificar a
>estratégia”. Penso que aqui mais uma vez recorre ao
>estereotipo, porque hoje um partido pode-se reclamar
>de uma certa influência leninista e não ter aquela
>visão tão instrumental das alianças com os outros
>partidos de esquerda. Lamento, mas muitas das suas
>afirmações e até posições se baseiam-se em “a priori”,
>que lamentavelmente o PCP confirma, mas que estão hoje
>muito longe da reflexão séria a nível internacional
>dos comunistas.
>Quanto à discussão sobre as intervenções do Paulo
>Fidalgo parece-me que é de ficarmos por aqui, porque
>estamos a falar de terceiros que aqui intervém e que
>podem ficar melindrados, e com razão, relativamente às
>apreciações que fazemos dos seus textos.
>No entanto, num ambiente de pobreza generalizada, eu
>diria até que avessa à discussão teórica sobre o
>marxismo, não podemos esperar que floresçam, por obra
>e graça do espírito santo, grandes reflexões teóricas
>para os lados da RC.
>Quanto ao Álvaro Cunhal fica para outra altura, mas o
>seu Rumo à Vitória e a teoria do levantamento
>democrático e nacional (continuo a não confirmar a
>terminologia inicialmente utilizada) foi para época
>uma reflexão importante, que teve assinaláveis
>repercussões, apesar da direita e da social-democracia
>o negar, no 25 de Abril e no programa inicial do
>movimento das Forças Armadas. Mas isto fica para outra
>altura.
>Depois entramos na parte mais interessante do seu
>texto, em que finalmente vem ao de cimo as suas opções
>políticas, o que é bom para clarificar as ideias. Mas,
>tal como já tinha admitido no princípio, vou deixar
>esta discussão para melhor oportunidade.
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